Eles não são um casal. Pelo contrário: eles são não se parecem em nada, são extremos opostos. Mas são a cara do Brasil: um país desigual em que “Michéis” comandam, mas que “Rafaelas” inspiram. No entanto, “Rafaelas”, oprimidas por “Michéis”, aparecem, se muito, de quatro em quatro anos e depois somem. “Michéis”, infelizmente, aparecem todos os dias e faz questão que nos lembremos dele o tempo todo.
Eles são os personagens do Brasil, do Brasil do Rio 2016, o Brasil olímpico e, se tem algo em comum entre eles, além de serem brasileiros, é a palavra golpe. “Michéis” são os caras que, aproveitando-se da fragilidade de caráter e da falta de competência de seus pares e antecessores, somada à alienação total de uma classe média dita instruída com suas panelas e uma mídia absurdamente manipuladora, chegaram ao poder e oferecer mais do mesmo, reprimindo as milhões de “Rafaelas”
Agora, aproveitando que os holofotes estão longe, e que a incompetência de seus sucessores ainda está latente, oculta o que os minimamente inteligentes já sabiam e que, aos poucos, em um momento muito conveniente, aparece de leve: eles (“Michéis”) estão tão ou mais banhados em lama do que seus antecessores, embora um erro não justifique o outro.
Ainda na surdina, “Michéis” retrocedem o Brasil das “Rafaelas”, acabando com os direitos mais basilares do trabalhador e usando de expedientes dos menos democráticos possíveis. Quem diria que em 2016 não se poderia entrar com uma faixa de protesto em um estádio. E não são só os olímpicos...
E só não vê quem não quer, os “Michéis” conseguiram piorar o que já estava ruim e a tendência é afundar ainda, fazendo do Brasil exatamente o oposto do que – como bem definiram os alemães – a bela, mas cínica abertura dos jogos quis mostrar.
Mas o Rio 2016 já valeu a pena. E não foi pelas sonoras vaias a um Michel. Tampouco pelo belo espetáculo de abertura, por mais que chegasse a ser cínica a dissonância com a realidade, mas que poderia ser entendido não como o que somos, mas como o que pretendemos ser. Mas isso ainda seria pouco.
O Rio 2016 valeu por causa de uma Rafaela. Rafaela, que como tantas outras, é oprimida diariamente justamente por “Michéis” e suas panelas aliadas. Mais do que vencer, a Rafaela provou que o Brasil está todo errado, do avesso mesmo, mas que também é possível acreditar.
A menina da Cidade de Deus, que convivia com a violência todos os dias, não pode e nem deve ser usada de exemplo pelos “Micheis” que certamente dirão: “tá vendo, quem quer consegue, todos têm oportunidade”. Essa Rafaela é uma exceção.
Quantas outras “Rafaelas”, atletas, músicas, cientistas o Brasil está perdendo ou perdeu simplesmente por massacrá-las? Na verdade, quase perdeu essa também. Perdeu na hipocrisia de brasileiros, cruéis, que não sabem que só o fato de uma entre as milhões de “Rafaelas” conseguir estar nas olímpiadas é um feito. Um feito dela, porque diferentemente dos atletas profissionais milionários, vindos da NBA, ou das ligas europeias de futebol, ela não tem apoio nenhum. E de maneira distinta aos atletas abastados do iatismo, hipismo ou vela, ela veio do nada, superou todos os preconceitos que uma mulher, negra e pobre sofre no Brasil. Nada contra os outros atletas, que também não estão lá por acaso. Mas nenhum deles representa tão bem a realidade quanto a Rafaela.
Rafaela, pensou em desistir porque após perder em 2012. Mas a derrota no tatame foi a menos dolorida. A derrota da humanidade é que fez a Rafaela pensar em desistir e duvidar de sua capacidade. Porque as ofensas que ela sofreu, machucam a qualquer um que se diz humano. O ouro da Rafaela está para o Brasil como os ouros de Jesse Owens estão para o mundo, servindo para calar os idiotas.
Por isso, a medalha de Rafaela não é do Brasil, até porque do Brasil ela nunca recebeu apoio. A medalha é dela, é da Cidade de Deus e de todas as “Rafaelas”. Porque nada representa mais o Brasil de Michel do que a frase dita por Rafaela: “o macaco que devia estar na jaula, hoje é campeão olímpico. ”
Eles são os personagens do Brasil, do Brasil do Rio 2016, o Brasil olímpico e, se tem algo em comum entre eles, além de serem brasileiros, é a palavra golpe. “Michéis” são os caras que, aproveitando-se da fragilidade de caráter e da falta de competência de seus pares e antecessores, somada à alienação total de uma classe média dita instruída com suas panelas e uma mídia absurdamente manipuladora, chegaram ao poder e oferecer mais do mesmo, reprimindo as milhões de “Rafaelas”
Agora, aproveitando que os holofotes estão longe, e que a incompetência de seus sucessores ainda está latente, oculta o que os minimamente inteligentes já sabiam e que, aos poucos, em um momento muito conveniente, aparece de leve: eles (“Michéis”) estão tão ou mais banhados em lama do que seus antecessores, embora um erro não justifique o outro.
Ainda na surdina, “Michéis” retrocedem o Brasil das “Rafaelas”, acabando com os direitos mais basilares do trabalhador e usando de expedientes dos menos democráticos possíveis. Quem diria que em 2016 não se poderia entrar com uma faixa de protesto em um estádio. E não são só os olímpicos...
E só não vê quem não quer, os “Michéis” conseguiram piorar o que já estava ruim e a tendência é afundar ainda, fazendo do Brasil exatamente o oposto do que – como bem definiram os alemães – a bela, mas cínica abertura dos jogos quis mostrar.
Mas o Rio 2016 já valeu a pena. E não foi pelas sonoras vaias a um Michel. Tampouco pelo belo espetáculo de abertura, por mais que chegasse a ser cínica a dissonância com a realidade, mas que poderia ser entendido não como o que somos, mas como o que pretendemos ser. Mas isso ainda seria pouco.
O Rio 2016 valeu por causa de uma Rafaela. Rafaela, que como tantas outras, é oprimida diariamente justamente por “Michéis” e suas panelas aliadas. Mais do que vencer, a Rafaela provou que o Brasil está todo errado, do avesso mesmo, mas que também é possível acreditar.
A menina da Cidade de Deus, que convivia com a violência todos os dias, não pode e nem deve ser usada de exemplo pelos “Micheis” que certamente dirão: “tá vendo, quem quer consegue, todos têm oportunidade”. Essa Rafaela é uma exceção.
Quantas outras “Rafaelas”, atletas, músicas, cientistas o Brasil está perdendo ou perdeu simplesmente por massacrá-las? Na verdade, quase perdeu essa também. Perdeu na hipocrisia de brasileiros, cruéis, que não sabem que só o fato de uma entre as milhões de “Rafaelas” conseguir estar nas olímpiadas é um feito. Um feito dela, porque diferentemente dos atletas profissionais milionários, vindos da NBA, ou das ligas europeias de futebol, ela não tem apoio nenhum. E de maneira distinta aos atletas abastados do iatismo, hipismo ou vela, ela veio do nada, superou todos os preconceitos que uma mulher, negra e pobre sofre no Brasil. Nada contra os outros atletas, que também não estão lá por acaso. Mas nenhum deles representa tão bem a realidade quanto a Rafaela.
Rafaela, pensou em desistir porque após perder em 2012. Mas a derrota no tatame foi a menos dolorida. A derrota da humanidade é que fez a Rafaela pensar em desistir e duvidar de sua capacidade. Porque as ofensas que ela sofreu, machucam a qualquer um que se diz humano. O ouro da Rafaela está para o Brasil como os ouros de Jesse Owens estão para o mundo, servindo para calar os idiotas.
Por isso, a medalha de Rafaela não é do Brasil, até porque do Brasil ela nunca recebeu apoio. A medalha é dela, é da Cidade de Deus e de todas as “Rafaelas”. Porque nada representa mais o Brasil de Michel do que a frase dita por Rafaela: “o macaco que devia estar na jaula, hoje é campeão olímpico. ”