O
Brasil é um país em que o voto é compulsório. Particularmente penso que
tem de ser assim. Vivemos em uma sociedade extremista, radical,
preconceituosa em que grande parte das pessoas com capacidade de mudar
são apolíticas. O sistema é corrompido, a mídia manipuladora, o país é
corrupto e cheio de currais eleitorais, sejam mantidos pelo coronelismo
nos rincões, seja pelo “traficantismo” nas favelas. O voto obrigatório é
a única chance de não sermos governados por Malafaias, Bolsonaros e
outros radicais de qualquer espécie.
Mas o sistema eleitoral é falho. A democracia brasileira provou neste último final de semana que é tudo, menos representativa. Os índices de abstenção, votos brancos e nulos são alarmantes. Em qualquer país mais sério, isso seria repercutido de maneira estrondosa, mas não aqui. Aqui não compensa dar muita visibilidade à isso.
A vontade do povo não é a vontade das urnas. Em São Paulo, o João Dória ganhou com menos votos dos que aqueles que optaram por anular, votar em branco ou preferiram justificar.
Em BH a situação é mais bizarra. A soma de votos dos dois candidatos que vão ao segundo turno é menor do que as pessoas não votaram, votaram em branco ou anularam. A soma das pessoas que não votaram em nenhum candidato chega a mais de 40% do total. Ganharia o pleito com facilidade.
Enquanto a ênfase está sempre no “quanto” o PT saiu derrotado (por seus próprios erros, ressalte-se), poucos constataram publicamente que não houve nenhum grande vencedor. Não haveria de ter. O recado das eleições e a vontade do povo não é simplesmente “não queremos o PT”. O Recado foi mais inteligente, profundo e coerente. O recado foi não queremos nenhum deles.
Veja o exemplo de BH: só o índice de abstenção iria ao segundo turno em primeiro lugar (afinal tivemos um índice de 21,66% do total de eleitores (417.537 votos), e o primeiro colocado teve 33,40% dos votos válidos (395.952) votos. Isso quer dizer que nenhum dos 9 candidatos agradavam. Por razões pessoais, partidárias, o diabo. As pessoas não gostavam das opções que tinham. E como considerar legítima uma eleição em que o vencedor passa longe de ser o que o povo quer?
Qual a solução? Não sei. Fato é que em casos assim, era necessário algum instrumento qualquer que obrigasse a revisão dos candidatos. Era exatamente isso o que o povo queria. Os partidos ofereceram esses, e nós dissemos: "esses nós não queremos". Mas vamos ter de engolir. Como isso pode ser legítimo? A maioria não quer nenhum, então que nenhum seja empossado... Mas não funciona assim. Funciona na base do "isso é o que tem para hoje". Enquanto isso, o TSE se faz de bobo fazendo publicidade para as pessoas votarem, como se o problema fosse a simples falta de consciência delas. Mas eles não percebem que as pessoas não deixam de votar simplesmente porque não querem. Elas o fazem por não ter em quem votar. e só não vê como protesto quem não quer.
Fato é que a voz das urnas não é necessariamente a voz do povo. Mas o sistema eleitoral é falho. A democracia brasileira provou neste último final de semana que é tudo, menos representativa. Os índices de abstenção, votos brancos e nulos são alarmantes. Em qualquer país mais sério, isso seria repercutido de maneira estrondosa, mas não aqui. Aqui não compensa dar muita visibilidade à isso.
A vontade do povo não é a vontade das urnas. Em São Paulo, o João Dória ganhou com menos votos dos que aqueles que optaram por anular, votar em branco ou preferiram justificar.
Em BH a situação é mais bizarra. A soma de votos dos dois candidatos que vão ao segundo turno é menor do que as pessoas não votaram, votaram em branco ou anularam. A soma das pessoas que não votaram em nenhum candidato chega a mais de 40% do total. Ganharia o pleito com facilidade.
Enquanto a ênfase está sempre no “quanto” o PT saiu derrotado (por seus próprios erros, ressalte-se), poucos constataram publicamente que não houve nenhum grande vencedor. Não haveria de ter. O recado das eleições e a vontade do povo não é simplesmente “não queremos o PT”. O Recado foi mais inteligente, profundo e coerente. O recado foi não queremos nenhum deles.
Veja o exemplo de BH: só o índice de abstenção iria ao segundo turno em primeiro lugar (afinal tivemos um índice de 21,66% do total de eleitores (417.537 votos), e o primeiro colocado teve 33,40% dos votos válidos (395.952) votos. Isso quer dizer que nenhum dos 9 candidatos agradavam. Por razões pessoais, partidárias, o diabo. As pessoas não gostavam das opções que tinham. E como considerar legítima uma eleição em que o vencedor passa longe de ser o que o povo quer?
Qual a solução? Não sei. Fato é que em casos assim, era necessário algum instrumento qualquer que obrigasse a revisão dos candidatos. Era exatamente isso o que o povo queria. Os partidos ofereceram esses, e nós dissemos: "esses nós não queremos". Mas vamos ter de engolir. Como isso pode ser legítimo? A maioria não quer nenhum, então que nenhum seja empossado... Mas não funciona assim. Funciona na base do "isso é o que tem para hoje". Enquanto isso, o TSE se faz de bobo fazendo publicidade para as pessoas votarem, como se o problema fosse a simples falta de consciência delas. Mas eles não percebem que as pessoas não deixam de votar simplesmente porque não querem. Elas o fazem por não ter em quem votar. e só não vê como protesto quem não quer.