quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A solução pro nosso povo eu vou dar...

...E não vou dizer que está nas urnas. Até porque as eleições brasileiras se resumem à legitimação de um sistema corrompido. Não importa quem você coloque lá, no fim, pouca coisa muda. Afinal, os interesses são os mesmos. Com efeito, os eleitos governam para quem os puseram lá, e não foram os eleitores. São os patrocinadores de campanha. Obviamente, os maiores financiadores, não são imbecis. Qualquer campanha minimamente competitiva vai ser patrocinada por eles. Não têm lado, o objetivo é ficar no poder. Ainda que, nos bastidores, ajudem um pouco mais uma ou outra parte, certamente quem ganhar vai dever algum favor.

Até porque, no Brasil, o sistema, cuja função primordial é evitar a corrupção, funciona como muleta para tudo. Os três poderes, por exemplo, que deveriam servir como freios um dos outros, acabam, antes, sendo comparsas ou instrumento de politicagem. O partido e o poder estão sempre à frente do Estado. Mesmo o poder judiciário, único no qual os membros não são eleitos e entram através de concurso público, conforme consta as más línguas, anda corrompido.

Nem mesmo o excesso de burocracia para todo e qualquer ato público no país impede a palhaçada que assistimos todos os dias. No fim, ela – a burocracia- que deveria ter como função principal diminuir as chances de um processo qualquer se corromper, assim como tudo por aqui, vira muleta para os públicos e acaba permitindo, por exemplo, “o caráter de urgência”, elimina licitações e acaba abrindo espaço para o que ela devia combater, como, por exemplo, o superfaturamento.

Vivemos em uma verdadeira bagunça institucional, institucionalizada e burocrática. Não são poucos os estrangeiros que tentam investir no país, entendendo ser o país do futuro, mas desistem pela desorganização, que serve de muleta para corrupção e de cabo eleitoral. Dizem os forasteiros, “eles tem tudo, tudo, bem na frente, mas não sabem como usar. Será possível?”

Outros propõem secar a máquina pública, embora seja claro que o desperdício do dinheiro não está na máquina e sim nos desvios, roubos e, sobretudo, no poder. Os países escandinavos, por exemplo, os maiores IDH do mundo, são os Estados com as maiores máquinas públicas. A grande maioria das pessoas lá são empregadas pelo Estado. Até porque os aspones são uma verdadeira minoria de privilegiados. E me pergunto, acabando com os cargos públicos CONCURSADOS, supondo sua inutilidade – que realmente é só suposição - como seriam realocadas tantas essas pessoas no mercado de trabalho? Então.    

A solução, portanto, não está em referendar um sistema corrompido. Tampouco fundi-lo por completo. Afinal, em teoria, temos uma das constituições mais bem elaboradas do mundo. Basta fazer funcionar. Também não é inventando uma revolução sem causa e sem o menor respaldo popular, quase que uma aberração, como tentaram durante as Copas das Confederações e do Mundo.

Chego à conclusão, portanto, que a salvação está em fazer uma auditoria. Uma auditoria detalhada, com livre acesso à todos os documentos e com a possiblidade de destrinchar todos os órgãos e instituições brasileiras. Por razões óbvias de isenção, teria de ser uma auditoria estrangeira, confiável e transmitida pelo you tube por 24 horas. Afinal, ninguém teria paciência para ver tudo o tempo todo, mas é garantido que o tempo todo alguém estará vendo.


Auditores com carta branca, isolados do mundo em um hotel, escoltados pela polícia federal dia e noite, sem nenhum contato com o mundo exterior. Terminados os trabalhos é limpar as instituições, enxugá-las, assim como em uma empresa privada. Então reestrutura-se tudo e recomeça. Quem deve algo, paga. Acaba-se a impunidade e publica-se todos os resultados. Os auditores voltam aos seus países de origem e tudo bem. Entretanto, creio eu, se alguém na política ousar fazer uma proposição dessas, não dura mais de 48 horas vivo. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Futebol é questão de Estado

O Brasil sempre foi reconhecido internacionalmente como um país de ponta no futebol mundial. Acostumamos com os melhores jogadores, o melhor jogo, os melhores times e, por isso, temos mais títulos. Essa visão, historicamente consolidada, há muito é mera visão e, não demora, deixaremos o posto de maior vencedor aos alemães. Certamente, isso acarretará na redução do status do jogador e do futebol brasileiro no mercado mundial. Há muito, não temos, como outrora, os melhores jogadores, as melhores equipes, os melhores públicos ou a melhor seleção. Entretanto, mesmo que somente aos nossos olhos, ainda somos e provavelmente sempre seremos o país do futebol.

Nas terras tupiniquins o esporte bretão tem uma função social extremamente importante. E não é apenas aquela função clichê de inclusão social pelo esporte. Até porque, no Brasil, essa inclusão atinge uma minoria de pessoas que conseguem vencer como atletas profissionais. Ainda menor, diga-se, são aqueles que, através dessa inclusão, conseguem ser bem remunerados. Não sou contrário, ressalte-se, ao uso do futebol para isso. Pelo contrário, considero a ideia brilhante. Mas não é essa função, ou melhor, inclusão social que o futebol já representa no Brasil. Pelo menos não neste sentido.

Não é a primeira faz que faço essa ressalva, mas o futebol brasileiro é um instrumento de justiça social na medida em que é a única identidade comum entre ricos e pobres, onde todos somos iguais. No estádio somos todos iguais. Em um gol, não interessa se ao seu lado está o seu chefe o seu subordinado. A alegria e a tristeza são compartilhadas indistintamente, e um mero desconhecido vira seu melhor amigo por um segundo.

Portanto, a construção de estádios, a promoção e organização de campeonatos, a formação de atletas, são, sim, responsabilidade do Estado. Óbvio que feito de maneira transparente e minimamente razoável, bem distinto da maneira atual. Construir um estádio para uma agremiação é um absurdo, sobretudo da maneira que foi feita para o Corinthians. O patrocínio de empresas públicas à equipes que devem o fisco é igualmente questionável.

Por razões óbvias, jamais exigiria um tratamento igual ao governo alemão deu ao futebol no país, investindo mais de 1 bilhão de euros em futebol nos últimos 10 anos. Entretanto, não há como concordar com aqueles que insistem “o Estado tem mais coisas para se preocupar”, “futebol não é questão de estado”. Claro que é. Na medida em que a promoção da cultura, esporte (por mais que sejam negócios) e a integração social são obrigações do Estado.

Ainda que negócio, ainda que organizado por instituições privadas, o futebol exerce uma função social que exige sim intervenção e investimento estatal.  Se o Estado já regulou o futebol através da Lei Pelé, se o Estado tem de atuar em questões judiciais e até de segurança pública referentes ao futebol, se existe até uma “bancada da bola,” não faz o menor sentido se abster em outras questões cruciais.

Atualmente, no estágio em que nosso futebol se encontra, a intervenção estatal se faz cada vez mais necessária. Não digo, como muitos pretendem, perdão de dívidas, isenção fiscal nem nada disso. Entretanto, não podemos eximir os dirigentes de futebol das leis fiscais, das improbidades administrativas, dos problemas trabalhistas que envolve jogadores e funcionários; os contratos duvidosos...

Embora muitos possam achar que não seja questão governamental, é necessário uma regulamentação para o padrão de segurança e conforto nos estádios, os preços dos ingressos, e até mesmo subsídios. Estamos falando e entretenimento, cultura e integração que estão diretamente ligado ao povo. Uma questão que, querendo ou não, gostem ou não, no Brasil é social. Já sabemos que mesmo os outros eventos culturais têm preços impossíveis de serem desfrutados à maior parte da população. O futebol, outrora do povo, uma alternativa, tem, no Brasil, os ingressos mais caros do mundo. E não é segredo que a elevação desses preços está diretamente relacionado à uma limpeza étnica e social nos estádios, ao meu ver, discriminatória e ineficaz, para reduzir a violência.


Ora, se isso não for questão de Estado, não sei o que é.  

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Receita do Dia

O Tupiniquim cozinha de hoje oferece duas opções de pratos para você fazer. Aliás, temos até uma terceira opção, mas não é muito popular. Quase não saí; alguns nem sabem que existem. Os dois prato principais do dia, bom, esses são praticamente iguais. Sabor, textura, cheiro... Tudo muito parecido para você escolher e fazer o que mais lhe apetece.

E os ingredientes dos nossos pratos de hoje são quase todos nacionais e vem sendo elaborados nos últimos 20 anos. A lista de ingredientes, embora não esteja completa, segue abaixo:

Plano real, contenção da inflação, greves de professores, greves de servidores federais, crise internacional, valorização e desvalorização do real, incentivo ao agronegócio, desemprego, moratória, intervenção em Minas Gerais, reeleição, privatização, apagão, Mercosul, provão, fome zero, vale gás, bolsa família, bolsa escola, ascensão da classe C, PROUNI, REUNI, Ciência sem Fronteiras, ENEM, mensalão, crise na Petrobrás, Copa do Mundo, painel eletrônico, doleiros, Cachoeira, Gorete, Rombo da Previdência, ranário, Olimpíada, Estádios milionários e sem sentido, caos aéreo, poder de compra, FMI, devedor, credor, cuecas, PAC, importação, exportação... e mais o que você quiser à gosto.

O modo de preparo também é bem simples: pegue esses ingredientes, e todos os outros que você lembrar ou encontrar, e divida-os em duas partes: os produzidos antes do ano de 2002 e os posteriores. E não se importe se alguns dos ingredientes passem pelos dois potes. Neste caso, avalie se os restos eram bons e ruins, como foram aproveitados e descartados e, enfim, escolha em qual das vasilhas colocar.

Separação feita é a hora de avaliar. Mediante à mistura de todos os ingredientes, e de algum tempero qualquer que você deseje colocar, é a hora de provar. O que foi mais saboroso para você?

Se você gostou mais da mistura da tigela que vai até 2002, digite 45 em seu micro-ondas. Agora, se sua preferência é pelo que ficou na vasilha após 2002, digite 13 em seu micro-ondas. Se os dois parecem amargos demais para você, e sua preferência é pelo prato que quase não saí, aperte o 40 no seu micro-ondas. 


Depois, se ainda tiver estômago, é só esperar e desfrutar.