...E não vou dizer
que está nas urnas. Até porque as eleições brasileiras se resumem à legitimação
de um sistema corrompido. Não importa quem você coloque lá, no fim,
pouca coisa muda. Afinal, os interesses são os mesmos. Com efeito, os eleitos
governam para quem os puseram lá, e não foram os eleitores. São os patrocinadores de
campanha. Obviamente, os maiores financiadores, não são imbecis.
Qualquer campanha minimamente competitiva vai ser patrocinada por eles. Não têm
lado, o objetivo é ficar no poder. Ainda que, nos bastidores, ajudem um pouco
mais uma ou outra parte, certamente quem ganhar vai dever algum favor.
Até porque, no
Brasil, o sistema, cuja função primordial é evitar a corrupção, funciona como
muleta para tudo. Os três poderes, por exemplo, que deveriam servir como freios
um dos outros, acabam, antes, sendo comparsas ou instrumento de politicagem. O
partido e o poder estão sempre à frente do Estado. Mesmo o poder judiciário,
único no qual os membros não são eleitos e entram através de concurso público,
conforme consta as más línguas, anda corrompido.
Nem mesmo o excesso
de burocracia para todo e qualquer ato público no país impede a palhaçada que
assistimos todos os dias. No fim, ela – a burocracia- que deveria ter como
função principal diminuir as chances de um processo qualquer se corromper,
assim como tudo por aqui, vira muleta para os públicos e acaba permitindo, por
exemplo, “o caráter de urgência”, elimina licitações e acaba abrindo espaço para o que ela devia combater, como,
por exemplo, o superfaturamento.
Vivemos em uma
verdadeira bagunça institucional, institucionalizada e burocrática. Não são
poucos os estrangeiros que tentam investir no país, entendendo ser o país do
futuro, mas desistem pela desorganização, que serve de muleta para corrupção e
de cabo eleitoral. Dizem os forasteiros, “eles tem tudo, tudo, bem na frente,
mas não sabem como usar. Será possível?”
Outros propõem
secar a máquina pública, embora seja claro que o desperdício do dinheiro não
está na máquina e sim nos desvios, roubos e, sobretudo, no poder. Os países
escandinavos, por exemplo, os maiores IDH do mundo, são os Estados com as
maiores máquinas públicas. A grande maioria das pessoas lá são empregadas pelo
Estado. Até porque os aspones são uma verdadeira minoria de privilegiados. E me pergunto, acabando com os cargos públicos CONCURSADOS, supondo sua
inutilidade – que realmente é só suposição - como seriam realocadas tantas essas
pessoas no mercado de trabalho? Então.
A solução,
portanto, não está em referendar um sistema corrompido. Tampouco fundi-lo por
completo. Afinal, em teoria, temos uma das constituições mais bem elaboradas do
mundo. Basta fazer funcionar. Também não é inventando uma revolução sem causa e
sem o menor respaldo popular, quase que uma aberração, como tentaram durante as
Copas das Confederações e do Mundo.
Chego à conclusão,
portanto, que a salvação está em fazer uma auditoria. Uma auditoria detalhada,
com livre acesso à todos os documentos e com a possiblidade de destrinchar
todos os órgãos e instituições brasileiras. Por razões óbvias de isenção, teria
de ser uma auditoria estrangeira, confiável e transmitida pelo you tube por 24
horas. Afinal, ninguém teria paciência para ver tudo o tempo todo, mas é
garantido que o tempo todo alguém estará vendo.
Auditores com carta
branca, isolados do mundo em um hotel, escoltados pela polícia federal dia e
noite, sem nenhum contato com o mundo exterior. Terminados os trabalhos é
limpar as instituições, enxugá-las, assim como em uma empresa privada. Então
reestrutura-se tudo e recomeça. Quem deve algo, paga. Acaba-se a impunidade e
publica-se todos os resultados. Os auditores voltam aos seus países de origem e tudo bem. Entretanto, creio eu, se alguém na política ousar fazer uma proposição dessas,
não dura mais de 48 horas vivo.