quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A estátua da Liberdade


Liberdade é tão quista pelos homens que talvez seja o maior motivo de revoluções e revoltas na história da humanidade. Esta palavra, meio que sem significado quando desacompanhada, é tão importante que é a primeira – e talvez a mais cruel -  privação imposta à sociedade para quem está à margem dela. Liberdade de expressão, de ir e vir, de pensamento são todas compreensíveis e tangíveis. Mas a liberdade, em si, como conceito abstrato, esvaziada desses adjetivos, embora alguns afirmam existir e conhecer, é algo incompreensível e impensável.

A noção de liberdade, desadjetivada, ou acompanhadas de adjetivos tão abstratos quanto a própria liberdade, não existem, ou, se existem, são inatingíveis. Liberdade de espírito, alma, energia,  são apenas subterfúgios à realidade dura e cruel em que vivemos, ou melhor, a cruel e insignificante realidade da condição humana. Não somos livres, jamais seremos. Não existe Liberdade absoluta, não existe liberdade abstrata, a liberdade em sua totalidade é uma doce ilusão inventada para nos conformar com nossa condição, com nossa sociedade, enfim.

Até mesmo as liberdades concretas são limitadas, afinal vivemos em sociedade. Ainda que não vivêssemos  existem limites físicos e biológicos que nos restringem à liberdade. O universo é regido por regras e leis e o ser humano, do topo de sua arrogância, quer estar acima delas, para sentir essa tal liberdade, com a qual não estou familiarizado. Nascemos mais livres do que deveríamos, afinal, um dos pilares de nossa educação é a imposição de limites. Bem educados, domados, recrutados, temos as liberdades que precisamos, ou, ainda que não tenhamos, temos a capacidade de obtê-las. Somos livres para ir, embora encontremos limites no dinheiro, na insegurança, em outros fatores. Somos livres para nos expressar, ainda que esbarremos no limite da moral de outro. Somos livres para escolher, embora nos limitemos às opções, embora o próprio ato de escolher nos indica que não somos livres para ter tudo. Somos livres para pensar, ainda que estejamos preso no limite do imaginário.

Liberdade nada mais é do que uma estátua.