Liberdade é tão
quista pelos homens que talvez seja o maior motivo de revoluções e revoltas na
história da humanidade. Esta palavra, meio que sem significado quando
desacompanhada, é tão importante que é a primeira – e talvez a mais cruel
- privação imposta à sociedade para quem
está à margem dela. Liberdade de expressão, de ir e vir, de pensamento são
todas compreensíveis e tangíveis. Mas a liberdade, em si, como conceito
abstrato, esvaziada desses adjetivos, embora alguns afirmam existir e conhecer,
é algo incompreensível e impensável.
A noção de
liberdade, desadjetivada, ou acompanhadas de adjetivos tão abstratos quanto a
própria liberdade, não existem, ou, se existem, são inatingíveis. Liberdade de
espírito, alma, energia, são apenas
subterfúgios à realidade dura e cruel em que vivemos, ou melhor, a cruel e
insignificante realidade da condição humana. Não somos livres, jamais seremos. Não
existe Liberdade absoluta, não existe liberdade abstrata, a liberdade em sua
totalidade é uma doce ilusão inventada para nos conformar com nossa condição,
com nossa sociedade, enfim.
Até mesmo as
liberdades concretas são limitadas, afinal vivemos em sociedade. Ainda que não vivêssemos existem limites físicos e biológicos que nos restringem à liberdade.
O universo é regido por regras e leis e o ser humano, do topo de sua
arrogância, quer estar acima delas, para sentir essa tal liberdade, com a qual
não estou familiarizado. Nascemos mais livres do que deveríamos, afinal, um dos
pilares de nossa educação é a imposição de limites. Bem educados, domados,
recrutados, temos as liberdades que precisamos, ou, ainda que não tenhamos,
temos a capacidade de obtê-las. Somos livres para ir, embora encontremos
limites no dinheiro, na insegurança, em outros fatores. Somos livres para nos
expressar, ainda que esbarremos no limite da moral de outro. Somos livres para
escolher, embora nos limitemos às opções, embora o próprio ato de escolher nos
indica que não somos livres para ter tudo. Somos livres para pensar, ainda que
estejamos preso no limite do imaginário.
Liberdade nada
mais é do que uma estátua.