terça-feira, 21 de outubro de 2014

Pior que tá, fica

Em 2002 o meu voto era facultativo e, sem o menor remorso, optei por não votar. A razão era simples: não confiava que o Lula pudesse fazer uma gestão competente e, obviamente, não suportava mais as barbáries tucanas no poder. Acertei minhas previsões, embora o país tenha melhorado, não era difícil em vista da situação anterior. Nas eleições seguintes não tinha escapatória. Precisava ir às urnas.


E em 2006 foi a única vez em que votei com convicção. Mas, infelizmente, o Brasil atrasou pelo menos uns cem anos em não eleger Cristovam Buarque à presidência. No segundo turno anulei meu voto. Continuava achando o governo de Lula incompetente, mas o PSDB seria um retrocesso ainda maior. Sabia que as memórias recentes de apagão, de salário mínimo de R$ 200,00, de altos índices de desemprego e pobreza ainda estavam muito vivas.


Anulei, pois não confiava na continuidade mas estava certo a ameaça de revivermos anos entre 1994 e 2002 estava descartada. Lavava minhas mãos. Novamente não me arrependi da decisão. Vi um governo decepcionante, que, orgulhosamente, não elegi. Um governo cujas políticas lembravam muito às implantadas pelo antecessores.

É realmente triste perceber que todos os partidos são absurdamente iguais, e que os presidentes não passam de meros fantoches de empresários e interesses políticos. Para muitos além de triste era decepcionante, não para mim que nunca alimentei nenhuma expectativa por Lula e pelo PT.


Nas eleições de 2010, sem Cristovam, fiquei órfão de candidato. Votei em uma terceira via, na vã esperança de que ao menos alguém de fora do eixo chegasse ao segundo turno. Era necessário um segundo turno para que houvesse debates em condições isonômicas. Mas, com muita pesar, conclui: entramos em um caminho sem volta para um bipartidarismo esquizofrênico, de duas partes essencialmente iguais e reféns de um terceiro partido e de interesses de várias origens.


Afinal, não há, por parte desses dois grandes partidos, nenhum projeto de governo, mas projetos claros de poder, nos quais a troca de interesses é essencial. Outro segundo turno em que o meu voto não foi válido. De novo lavei as mãos. Afinal, se não compactuava com o governo à época, também não queria a “volta dos que não foram”, que eram inofensivos.

Desta vez, porém, eles passaram a ser ameaça. E através dos piores nomes possíveis. No primeiro turno, com a mesma falta de convicção de 2010, embora em candidatos diferentes, votei em uma outra via.  Mas no segundo turno, infelizmente, terei de votar na manutenção do atual governo.


Governo que eu não compactuo, embora tenho de ser justo ao dizer que grande parte de seus problemas têm origem anterior ao atual mandato. Um governo com falhas graves, mas que, enquanto seu concorrente costuma “atuar” em prol de grandes empresários e latifundiários, preocupa-se um pouco mais com educação, por mais insuficiente que esta preocupação seja.

Diferentemente do que dizia slogan do Tiririca nas eleições de 2010, “pior que tá, fica sim”. E nó sabemos disso. Sabemos porque em todos os 8 anos entre 1994 e 2002, os professores das Universidades Federais entraram em greve. Porque vivemos regionalmente nos últimos anos uma imprensa censurada e controlada por um governo cujo maior investimento sempre foi publicidade. Aliás, revivendo aqueles anos, dentro do Estado a greve dos professores, não repercutida pela imprensa, durou meses; afinal nem mesmo as prefeituras pagavam tão mal seus mestres.

O Brasil merecia um segundo turno melhor, mas, pode ser muito pior. Por isso, com muito pesar de não poder lavar as mãos, vou votar pela reeleição e esperar que, nos próximos 4 anos, alguma alternativa, mais capaz apareça para terminar com este maldito bipartidarismo brasileiro.           

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