Em 2002 o meu voto era facultativo e, sem
o menor remorso, optei por não votar. A razão era simples: não confiava que o
Lula pudesse fazer uma gestão competente e, obviamente, não suportava mais as
barbáries tucanas no poder. Acertei minhas previsões, embora o país tenha
melhorado, não era difícil em vista da situação anterior. Nas eleições
seguintes não tinha escapatória. Precisava ir às urnas.
E em 2006 foi a única vez em que votei
com convicção. Mas, infelizmente, o Brasil atrasou pelo menos uns cem anos em
não eleger Cristovam Buarque à presidência. No segundo turno anulei meu voto.
Continuava achando o governo de Lula incompetente, mas o PSDB seria um retrocesso
ainda maior. Sabia que as memórias recentes de apagão, de salário mínimo de R$
200,00, de altos índices de desemprego e pobreza ainda estavam muito vivas.
Anulei, pois não confiava na continuidade
mas estava certo a ameaça de revivermos anos entre 1994 e 2002 estava
descartada. Lavava minhas mãos. Novamente não me arrependi da decisão. Vi um
governo decepcionante, que, orgulhosamente, não elegi. Um governo cujas
políticas lembravam muito às implantadas pelo antecessores.
É realmente triste perceber que todos os
partidos são absurdamente iguais, e que os presidentes não passam de meros fantoches
de empresários e interesses políticos. Para muitos além de triste era decepcionante, não para
mim que nunca alimentei nenhuma expectativa por Lula e pelo PT.
Nas eleições de 2010, sem Cristovam,
fiquei órfão de candidato. Votei em uma terceira via, na vã esperança de que ao
menos alguém de fora do eixo chegasse ao segundo turno. Era necessário um segundo
turno para que houvesse debates em condições isonômicas. Mas, com muita
pesar, conclui: entramos em um caminho sem volta para um bipartidarismo
esquizofrênico, de duas partes essencialmente iguais e reféns de um terceiro
partido e de interesses de várias origens.
Afinal, não há, por parte desses dois
grandes partidos, nenhum projeto de governo, mas projetos claros de poder, nos
quais a troca de interesses é essencial. Outro segundo turno em que o meu voto
não foi válido. De novo lavei as mãos. Afinal, se não compactuava com o
governo à época, também não queria a “volta dos que não foram”, que eram
inofensivos.
Desta vez, porém, eles passaram a ser
ameaça. E através dos piores nomes possíveis. No primeiro turno, com a mesma
falta de convicção de 2010, embora em candidatos diferentes, votei em uma outra
via. Mas no segundo turno, infelizmente,
terei de votar na manutenção do atual governo.
Governo que eu não compactuo, embora
tenho de ser justo ao dizer que grande parte de seus problemas têm origem
anterior ao atual mandato. Um governo com falhas graves, mas que, enquanto seu
concorrente costuma “atuar” em prol de grandes empresários e latifundiários,
preocupa-se um pouco mais com educação, por mais insuficiente que esta
preocupação seja.
Diferentemente do que dizia slogan do
Tiririca nas eleições de 2010, “pior que tá, fica sim”. E nó sabemos disso.
Sabemos porque em todos os 8 anos entre 1994 e 2002, os professores das
Universidades Federais entraram em greve. Porque vivemos regionalmente nos
últimos anos uma imprensa censurada e controlada por um governo cujo maior
investimento sempre foi publicidade. Aliás, revivendo aqueles anos, dentro do
Estado a greve dos professores, não repercutida pela imprensa, durou meses;
afinal nem mesmo as prefeituras pagavam tão mal seus mestres.
O Brasil merecia um segundo turno melhor,
mas, pode ser muito pior. Por isso, com muito pesar de não poder lavar as mãos, vou votar pela reeleição e
esperar que, nos próximos 4 anos, alguma alternativa, mais capaz apareça para
terminar com este maldito bipartidarismo brasileiro.
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