O mês de Janeiro é especial para
todos nós. Todos os “Is” cobrados pelo governo aparecem de uma vez, logo no primeiro mês do ano, para acabar
com o nosso orçamento. Sinto, ainda, como todo microempresário, ter um sócio a
mais, chamado Governo Federal. Todos nós temos este sócio em nossas vidas, por
conta da carga tributária brasileira. Dizem, e não duvido, trabalhamos três
meses apenas para pagar imposto. Algo inimaginável em um país como o Brasil.
Por conta disso, e há anos escutamos a mesma proposta de todos os políticos, todos clamam pela reforma
tributária. Entra ano e sai ano e é a mesma história, que, obviamente, nunca
sai do lugar.
Na maioria dos países do mundo a
lógica é simples. Países com muito tributos em geral proporciona qualidade de
vida alta aos seus habitantes através de serviços públicos. Países com carga
tributária mais baixa, por sua vez, exige das pessoas que elas gastem seu próprio dinheiro
para isso. Óbvio. Se o governo arrecada muito, por conseguinte, tem condições
de oferecer serviços públicos de qualidade e gratuitos à população. Os que arrecadam
pouco, por sua vez, aliviam o bolso das pessoas, tirando-as o imposto e deixa o povo com mais dinheiro na mão, assim, embora não possa
prover serviços tão bons, proporciona à população condição de sobra para pagar por seus serviços e ainda ter dinheiro.
O grande vilão, então, analisando
friamente, não são, necessariamente, os impostos. Em países como o Canadá e os escandinavos, a
carga tributária é alta, mas todos vivem bem. Afinal, embora paguem muito ao
governo, não precisam pagar plano de saúde, escola, pedágio, nem gastar
fortunas com segurança domiciliar. O dinheiro pago ao governo é retornado em
benefícios. Assim, todo o dinheiro que sobra é gasto ao bel prazer do contribuinte.
Não menos razoável é a política
de países com carga tributária bem menor, mas com serviços públicos muito menos
eficientes. Assim, o dinheiro não gasto com imposto se transforma em gasto com
alguns dos serviços que poderiam ser providos pelo Estado, entretanto, com uma quantidade de dinheiro bem maior, ainda sobra para os gastos pessoais. Há uma equivalência simples entre os sistemas
Mas no Brasil, para variar, o caso é um tanto quanto diferenciado. Pagamos fortunas para não ter o retorno. Não ligaria de pagar os
impostos se não precisasse gastar com plano de saúde, seguro de carro, pedágio
e todos os outros serviços idealizados por nossa Constituição. Mas não é isso o
que acontece. O dinheiro que “investimos” compulsoriamente no Estado se
transforma em aumento e reajustes salariais dos parlamentares, em propinas e
corrupção.
Acabar com os tributos e
transformá-los nos grandes vilões é tapar o sol com a peneira. Com menos tributos, e menos serviços, pouca coisa mudaria. Afinal, aqui temos os "poréns" dos dois sistemas supracitados, sem os benefícios. Pagamos imposto e os serviços particulares. O verdadeiro
ponto é transformar os tributos em prestação de serviços de qualidade ao povo ou acabar de vez com tudo. J
Justamente, por isso não teremos reforma tributária. Os politícios, vão, óbvio, sempre
justificar os impostos com os custos do Estado e mais um monte de questões da economia mundial, entretanto, o que é verdadeiramente custeado
pelos nossos impostos é a boa vida dos políticos, partidos e aspones, não
importa o partido.
Óbvio, e não como discutir, a
Reforma Tributária é fundamental e necessária; entretanto, a principal reivindicação
não é clamar pelo fim dos impostos. Esta é só a peneira para o nosso sol. Sol
chamado corrupção. Por isso, antes de clamar fervorosamente pela reforma, é
essencial exigir que esse dinheiro que
investimos através de impostos nos seja retornado em serviços.