segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Sol e a Peneira

O mês de Janeiro é especial para todos nós. Todos os “Is” cobrados pelo governo aparecem de uma vez, logo no primeiro mês do ano, para acabar com o nosso orçamento. Sinto, ainda, como todo microempresário, ter um sócio a mais, chamado Governo Federal. Todos nós temos este sócio em nossas vidas, por conta da carga tributária brasileira. Dizem, e não duvido, trabalhamos três meses apenas para pagar imposto. Algo inimaginável em um país como o Brasil. Por conta disso, e há anos escutamos a mesma proposta de todos os políticos, todos clamam pela reforma tributária. Entra ano e sai ano e é a mesma história, que, obviamente, nunca sai do lugar.

Na maioria dos países do mundo a lógica é simples. Países com muito tributos em geral proporciona qualidade de vida alta aos seus habitantes através de serviços públicos. Países com carga tributária mais baixa, por sua vez, exige das pessoas que elas gastem seu próprio dinheiro para isso. Óbvio. Se o governo arrecada muito, por conseguinte, tem condições de oferecer serviços públicos de qualidade e gratuitos à população. Os que arrecadam pouco, por sua vez, aliviam o bolso das pessoas, tirando-as o imposto e deixa o povo com mais dinheiro na mão, assim, embora não possa prover serviços tão bons, proporciona à população condição de sobra para pagar por seus serviços e ainda ter dinheiro.

O grande vilão, então, analisando friamente, não são, necessariamente, os impostos. Em países como o Canadá e os escandinavos, a carga tributária é alta, mas todos vivem bem. Afinal, embora paguem muito ao governo, não precisam pagar plano de saúde, escola, pedágio, nem gastar fortunas com segurança domiciliar. O dinheiro pago ao governo é retornado em benefícios. Assim, todo o dinheiro que sobra é gasto ao bel prazer do contribuinte.

Não menos razoável é a política de países com carga tributária bem menor, mas com serviços públicos muito menos eficientes. Assim, o dinheiro não gasto com imposto se transforma em gasto com alguns dos serviços que poderiam ser providos pelo Estado, entretanto, com uma quantidade de dinheiro bem maior, ainda sobra para os gastos pessoais. Há uma equivalência simples entre os sistemas

Mas no Brasil, para variar, o caso é um tanto quanto diferenciado. Pagamos fortunas para não ter o retorno. Não ligaria de pagar os impostos se não precisasse gastar com plano de saúde, seguro de carro, pedágio e todos os outros serviços idealizados por nossa Constituição. Mas não é isso o que acontece. O dinheiro que “investimos” compulsoriamente no Estado se transforma em aumento e reajustes salariais dos parlamentares, em propinas e corrupção.

Acabar com os tributos e transformá-los nos grandes vilões é tapar o sol com a peneira. Com menos tributos, e menos serviços, pouca coisa mudaria. Afinal, aqui temos os "poréns" dos dois sistemas supracitados, sem os benefícios. Pagamos imposto e os serviços particulares. O verdadeiro ponto é transformar os tributos em prestação de serviços de qualidade ao povo ou acabar de vez com tudo. J

Justamente, por isso não teremos reforma tributária. Os politícios, vão, óbvio, sempre justificar os impostos com os custos do Estado e mais um monte de questões da economia mundial,   entretanto, o que é verdadeiramente custeado pelos nossos impostos é a boa vida dos políticos, partidos e aspones, não importa o partido.


Óbvio, e não como discutir, a Reforma Tributária é fundamental e necessária; entretanto, a principal reivindicação não é clamar pelo fim dos impostos. Esta é só a peneira para o nosso sol. Sol chamado corrupção. Por isso, antes de clamar fervorosamente pela reforma, é essencial  exigir que esse dinheiro que investimos através de impostos nos seja retornado em serviços.