Todos os dias aumento a crença de que, no
Brasil, o ostracismo é opcional. As sub-celebridades se proliferam e, a
não ser que queiram, mantém sua fama por muito mais do que os 15 minutos. Bem
da verdade, se quiserem mantém-se nos holofotes o quanto quiserem. Basta, vez
por outra, através de um assessor de imprensa, ou mesmo das redes sociais,
fazer uma ou outra bobagem, entrar em alguma polêmica. Até porque, mais do que uma
imprensa específica, existe aqui uma emissora de televisão que vive disso.
Além disso, a falta de pauta, ou a falta
de interesse nas verdadeiras pautas, fazem essas pessoas eternas na mídia.
Basta abrir qualquer página de qualquer grande portal de comunicação
brasileiro. Sempre terão notícias da vida particular de gente que, alguma vez
na vida, apareceu por 15 minutos na televisão. O pior é que, por conta dessa
exposição excessiva, a opinião dessas pessoas passam a ganhar uma relevância
absurda, ainda que tais opiniões, sejam, como a minha e a sua, discutidas no
boteco, baseadas apenas nas próprias impressões.
Não é difícil ser famoso no Brasil. O
complicado é perder a fama. Se estiver prestes à isso, basta um email release
com uma opinião forte ou ridículo sobre um assunto importante, ou se oferecendo
para participar de algum programa de televisão de certos canais, ou mesmo
entrevistas para um ou outro e blog e pronto. Você está de volta à mídia.
Uma das maiores provas de que a fama no
Brasil não exige esforço é o caso da Geisy Arruda. Alguém se lembra como ela se
tornou famosa? Bom, para as os esquecidos, ela brotou na mídia por ter sido
hostilizada por outros alunos na faculdade onde estudava, a UNIBAN, por estar
com um vestido extremamente curto. Estava criada mais uma celebridade, que hoje
é notícia e que vive dessa fama.
Todos os Janeiros tem o BBB,
produtor de celebridades instantâneas. E ganhar o programa não é nem
fundamental para isso. Basta lembrar que Sabrina Sato e Grazi Massafera, as
duas mas bem sucedidas ex-Big Brothers, não ganharam. Ainda assim, os
ex-participantes, quando querem, surgem na mídia, sobretudo em canais menos
expressivos, para falar de um assunto qualquer.
Cair no Ostracismo após seus 15 minutos
de fama é incompetência ou opção. Aliás, os 15 minutos de fama estão cada
vez mais fáceis de se conseguir. Em tempos de reality show, que de realidade só tem o nome, de carência de
verdadeiros talentos,já que corpos e rostos bonitos facilmente o sobrepujam, as pessoas, mesmo que inconscientemente querem ver gente comum e
alimentar suas próprias esperanças de ascender a fama.
No entanto, uma vez famoso a pessoa
transcende o nível dos reles mortais, com seus ônus e bônus. Qualquer um tem o
poder de aparecer. O difícil é sumir. Depois de galgar o mínimo sucesso – mesmo
pela repulsa – é preciso trabalhar para voltar ao ostracismo. Aí, meus caros, qualquer
merda que você fala é relevante à humanidade.
E é isso o que incomoda. Pouco importa
a criação de celebridades ou programas que fomentam esse processo. Isso é
televisão, show business, e, como tal, se rentável, tem de ser feito. Aos que
não gostam, opções de outras coisas para se fazer ou assistir não faltam. O
verdadeiro problema da falta de ostracismo é perceber como a opinião dessas
pessoas, sobre o assunto que for, passa a ser relevante à humanidade, como se fossem
verdadeiros especialistas. Verdadeiros formadores de opinião sobre tudo,
sem saber nada, sem a menor qualificação para isso.