quinta-feira, 26 de março de 2015

Hipocrisia, seu nome é Brasil

Nos horrorizamos todos os dias, sobretudo aos Domingos, quando nos telejornais, ou no Fantástico, assistimos e ouvimos falar sobre o Estado Islâmico. Aquele fundamentalismo nos assusta, a ponto de nos perguntarmos como uma sociedade deixa isso acontecer. Contudo, com nossa cegueira sistemática, mal percebemos que nossa sociedade está se tornando tão fundamentalista quanto.

O auge recente dessa hipocrisia foi a polêmica absurda e retumbante sobre a novela Babilônia, que não assisto, até porque a história não me atrai nenhum pouco. O ápice dos comentários sobre a novela o foi beijo homossexual entre dois dos maiores patrimônios da cultura Brasileira, as geniais atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. O pior, usando argumentos bíblicos para isso. Usar a bíblia, ou melhor a interpretação religiosa dela, como argumento já é algo extremamente questionável, ainda mais para interpelar a arte.


E o paiol de bobagens, sobretudo nas redes sociais, foi fora do comum, absurdo mesmo. Chegaram ao ponto de falar sobre o nome da novela. Clamam que esse nome é demoníaco por natureza, e que jamais assistiriam algo com esse nome, pois remete a coisas ruins, satânicas e, com o perdão do trocadilho, o Diabo à quatro, por isso tal nome foi escolhido para remeter a um festival de atrocidades, que seria a novela.


Aos desinformados Babilônia, cujo significado em hebraico antigo, conforme algumas interpretações é confusão, e que aparece diversas vezes na bíblia; foi a capital da Suméria, região onde atualmente fica o Iraque. Lá, na “endiabrada” e “amaldiçoada” Babilônia, de tão desgraçada aos olhos de Deus, teve, simplesmente, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Jardins Suspensos da Babilônia, mas uma maravilha do mundo antigo, construída pelo homem, certamente é uma obra proveniente do Capeta.

Mas em uma coisa os mensageiros do apocalipse têm razão: o nome não foi escolhido a toa. Escolheram o nome pelo simples fato de no Rio de Janeiro, cidade onde passa a novela, existir um lugar, uma favela, conhecida como Morro da Babilônia, local de suma importância ao enredo da trama. Como disse, retumbaram um paiol de bobagens sem tamanho.

Nessas horas a gente realiza que a existência de personagens como Marco Feliciano só tem importância porque tem gente que repercute e apoia e dá ibope às imbecilidades ditas por ele. Esse camarada, inclusive, faz parte de uma corrente religiosa com a audácia de dizer que os negros são descendentes amaldiçoados de Noé. Sem contar nas milhões das declarações homofóbicas e conservadoras diariamente ecoadas por ele.

E estamos mais perto do fim do que imaginávamos. Descobri, não faz muito, existe uma coisa chamada FPE, Frente Parlamentar Evangélica. Movimento apartidário e retrógrado que, inclusive, voltando à Babilônia, publicou uma nota oficial de repúdio. Parabéns ao Brasil, um estado laico, no qual as igrejas são dispensadas dos tributos, no qual a fé alheia virou meio de vida. Laico até a segunda página e até não sei quando, pois vislumbro, infelizmente uma República Evangélica.

Me pergunto se esses mensageiros apocalípticos seguem a vida como pregam. Aliás, me pergunto, não é nessa mesma bíblia, usadas por eles como um Alcorão Cristão, que está escrito “Não julgueis, para não ser julgado”? Então qual o Direito deles de julgar? Sinceramente, antes de usar a bíblia como argumento, esses camaradas deveriam, ao menos, ser exemplo. E que Deus esse, capaz de perdoar ou ignorar a bebida e suas consequências, o cigarro, a “pegação”, mas é homofóbico? Certamente não é o Meu. Pelo menos, pelo que entendi, ele é justo e não tem dois pesos e duas medidas. Então, se alguém condena algumas práticas, tem de condenar as outras, em vez de tacitamente aprova-las e até ser reproduzi-las... Coerente, não?

Como questionador, meu lugar é o inferno, de certo. Mas, honestamente, se ir para o paraíso significa passar a eternidade com Marco Feliciano, Jair Bolsonaro, Edir Macedo, Bento XVI, e gente dessa estirpe, me desculpem, eu passo. Esse lugar soa muito mais como o inferno. Aliás, se para chegar lá no Paraíso eu tenho de compartilhar valores homofóbicos, racistas, discriminatórios, alienantes e burros, prefiro não ir mesmo. Prefiro pegar o 9403 e ir só até o bairro homônimo.

Essas posições ecoando na sociedade são tão fundamentalistas quanto à dos idiotas que deturpam o islã. Então, antes de nos surpreender e julgar, coloquemos a mão na consciência e pensemos se não estamos substituindo nossos livros de história e nossa Constituição pela bíblia. Ou melhor, por uma interpretação deturpada e vomitada dela.

segunda-feira, 16 de março de 2015

15 de Março: o dia em que o brasileiro pediu aspirina para tratar de câncer

De cara, para ser justo, vou excluir os inegavelmente imbecis: os que levaram suásticas, os que pediram os militares no poder, os que chamaram o PT de comunista e os que desfilavam com camisas “Mais Privatizações”.

Ressalvas feitas, acompanhando as atuais manifestações do neopolitizado povo brasileiro, desses que vão lutar contra a corrupção com a camisa da CBF, concluo que pensar deve doer. Doer muito.

Não tenho compromissos partidários, não pretendo defender nada aqui além da democracia e da legalidade. Já votei no PSDB e no PT consciente do que estava fazendo, esperando sempre o menos pior. Em ambos os casos, continuo achando ter escolhido o menos pior, o que não me isenta de criticar e ter criticado arduamente os governos que ajudei a eleger. Por isso me sinto extremamente confortável para dizer que as manifestações de ontem, tal como foram feitas, não tinham a menor razão de ser.

Sou contrário à maioria das medidas do governo Dilma, acho suas medidas ineficazes, tanto quanto achava – e ainda acho – péssimo o governo de Aécio aqui em Minas Gerais. Óbvio que, como qualquer cidadão de bem, mesmo reconhecendo a natureza corrupta do nosso dia-a-dia, do brasileiro que rouba wi-fi, tem gato, compra coisas piratas e adora um jeitinho; sou contra a corrupção. E certamente me manifestaria caso fosse uma ação propositiva.

O que vimos ontem, porém, foram pessoas querendo curar câncer cerebral com aspirina. E dou o crédito dessa conclusão a uma conversa que eu – crítico mas eleitor da Dilma no segundo turno - e um amigo eleitor do Aécio  tivemos no caminho entre o carro e o Estádio Independência ontem. Não sejamos hipócritas, é provável que eleitores dos dois lados tenham estado na rua ontem, mas é certo, e isso confirmei, que eleitores dos dois lados também acham ridículo o modo com que isso vem sendo conduzido. Portanto, de antemão, já aviso que, em momento nenhum, generalizo como “eleitores do Aécio e da Dilma”, até porque isso vai contra o princípio básico que estou defendendo.

Voltando ao que interessa, uma das primeiras palavras que aprendi o significado foi corrupção. Assistindo ao telejornal com minha mãe, ouvi isso e lhe perguntei do que se tratava. Provavelmente, eu e todos os brasileiros, aprendemos o significado do vocábulo corrupção antes mesmo do da palavra política. E, gente como eu, nascida na metade dos anos 1980, ainda teve o privilégio de aprender cedo, bem no início da alfabetização o significado e a grafia do termo impeachment.

Onde quero chegar? Simples. Diferentemente do que querem nos passar, a corrupção no Brasil é um problema crônico com muito mais de 12 anos, que não foi panteado nem aperfeiçoado pelo PT. Foi, antes, mantido. E, por isso, como disse Juca Kfouri, o PT paga o preço de quem, antes de estar no poder, sempre foi considerado a “esperança” anticorrupção. Paga, pois, pela decepção de ser igual aos outros.

Igual. Nem melhor, nem pior. É de uma ignorância ímpar acreditar que a corrupção é uma invenção petista que assola o Brasil nos últimos 12 anos. E não sou eu quem digo. Ricardo Semler, membro fundador do PSDB, eleitoe do Aécio Neves, escreveu na Folha de São Paulo um artigo intitulado “Nunca se roubou tão pouco”. Ele, CEO de uma empresa que não fecha contratos com a Petrobrás desde 1970 por não ceder às propinas, tem muita propriedade para falar. E diz, com razão, que hoje tudo fica mais evidente devido ao fácil acesso à comunicação e às redes sociais.

Portanto, querer criar heróis e vilões é patético. Achar que o Aécio Neves seria o salvador da pátria idem. Ora, os governos Aécio e Anastasia deixaram um rombo de R$6 bilhões nos cofres de Minas. São também responsáveis por um escândalo de corrupção na hidroelétrica de Furnas que, sob investigação, não pode nem realizar concursos públicos para contratação de novos funcionários. Sem falar no famigerado aeroporto de Cláudio. Ora, o PSB, hoje oposição, atacante veemente da corrupção, era aliada ao governo quando dos fatos investigados pela operação “Lava-Jato”. O senador tucano Cássio Cunha Lima foi condenado por crime eleitoral, cassado do cargo de governador da Paraíba e, ano passado, pagou um jantar de R$7.500,00 para seu pai com o dinheiro do Senado, ou seja, nosso dinheiro.

Isso, evidentemente não justifica a corrupção petista. Mas serve para mostrar aos “cavaleiros da moralidade”, que ontem foram às ruas clamando pelo herói nacional, que todos falam de corrupção com propriedade, afinal, são todos corruptos. Corrupção não tem partido. É corrupto falando de corrupto, deslavadamente, diga-se.

Ainda por cima clamam pelo impeachment da Dilma, mal sabendo que, caso ela saia, quem assume é o “acima de qualquer suspeita” Michel Temer. Mas faz parte da nossa natureza simplista eleger vilões, escolher caminhos fáceis. A troca de pura e simples de quem está no poder não muda NADA. Como não mudou do Collor pro FHC, do FHC pro Lula, nem do Lula pra Dilma. Aliás, apesar de toda a sua incompetência, estourada nas mãos de sua sucessora, de todos esses o único que não saiu com popularidade baixa, quase nula, foi o próprio Lula.

Mudar partidos e nomes não vão mudar o país. Acreditar nisso é um ledo engano. Pode, no máximo, garantir um sossego momentâneo que dá carta branca para novos esquemas, para a recuperação do sistema. No fim, sempre vamos querer a saída de quem está no poder. Prova disso é que ninguém manifestou pela volta do PSDB e a saída do PT em Minas. E, a faixa mais coerente – apesar de absurda – que vi em São Paulo dizia: Fora Dilma, Alckmin e Valdivia”. Não precisa ser genial, portanto, para entender que o problema não é QUEM está no poder, mas sim a ESTRTURA do próprio poder.

O sistema político está falido e é corrupto. Não é mudar nomes, partidos. É, antes, reformar o sistema, fazer uma verdadeira reforma política.

Imagina você com uma dor de cabeça inexplicável. Você vai ao SUS e o médico, sem nenhum exame, te dá uma aspirina. A causa da dor, no entanto, é um tumor cerebral. A aspirina alivia por alguns minutos, mas volta, cada vez pior.

Ontem quem foi às ruas pediu uma aspirina para um câncer no cérebro. O PT não é o câncer, é só o sintoma. E a oposição é só uma aspirina. E os papeis invertem-se todas as vezes quantas houverem inversão no poder.

Todos os partidos permeiam a corrupção, porque nosso sistema político quase que obriga a isso. Ele induz e favorece que todos sejam corruptos. E, depois, é só trocarem farpas e acusações de lado-a-lado.

Que o povo, sim, vá às ruas, mas que vá pelos motivos certos, sabendo o que está falando e tendo proposições reais e factíveis. Não para pedir aspirina para tratar de câncer.




terça-feira, 10 de março de 2015

Nostalgia

Me peguei sonhando com o passado. Pensando no passado. Quão curta é nossa vida? Quão fugidios são nossos dias? Não sei. Racionalmente, me culpo. Não deveria ser nostálgico, a vida é muito curta para isso, no presente estão muitos dos melhores acontecimentos da minha vida. Mas ninguém dorme racional e sonhei, com uma mistura de nostalgia e medo, com o passado misturado ao presente. Medo, porque o passado, tão longínquo e tão próximo, nos faz refletir que a morte também é assim: longínqua e próxima.

Só envelhece que não morre jovem. É verdade, mas não há como negar que só percebemos a real possibilidade de envelhecer quando começamos realmente a deixar de ser jovens. Os dias áureos passam brusca e rapidamente e, quando caímos na realidade, somos gente grande. De repente chegamos à época em que sonhávamos, mas sem ter sem ser nada  do que havíamos sonhado.

Aliás descobrimos que o que verdadeiramente sonhamos é ter sonhos. Sonhamos em reviver aquelas épocas idas, cheias de esperanças, sem preocupações, em que o futuro era só o futuro. Mas o futuro vira presente e não temos tempo para o passado, para nostalgia... Mas não somos donos de nós.

Não estou desvalorizando o presente, até porque hoje tenho algumas pessoas e coisas sem as quais não saberia viver. A nostalgia não é saudosismo. Muito longe disso. Antes é a vontade de voltar para refazê-lo, vive-lo de maneira diferente e melhor. Aproveitá-lo mais, ser mais inconsequente ter mais confiança, enfim. Corrigir os erros e acabar com os fantasmas que ainda assombram nossas mentes, para, quem sabe, tornar o presente ainda melhor.

O problema é que, nessa brincadeira maldita imposta pela nostalgia, acabamos esquecendo de viver o presente e, no futuro, ele será como o passado. Estamos repetindo os erros. Mal sabemos nós que muitos dos fantasmas vividos são essenciais. Talvez, voltando no tempo, mudando algo, ganhando alguma coisa que outrora desperdiçara, você pode perder algumas das melhores coisas de sua vida, que vieram posteriormente. Não há como fugir de nossa história.

Infelizmente também não  há como fugir da nossa mente. E eu me peguei nostálgico. Pensando no passado, lembrando o passado e, paradoxal que seja, lembrando o futuro. São pessoas e coisas que passam em nossas vidas, às vezes sem a menor importância. Se bem que nada é sem importância...


sexta-feira, 6 de março de 2015

Sobre heróis e vilões

Então eu leio um adesivo em um carro “a culpa não é minha, votei no Aécio” e imediatamente concluo mental e internamente “realmente a imbecilidade é um problema muito sério neste país”. Lembrei-me da frase do professor Vladimir Safatle, que eu li em um texto do jornalista Paulo Moreira Leite: “o maior inimigo da moralidade não é imoralidade, mas a parcialidade”. E isso nunca fez tanto sentido em minha mente. Não importam os nomes ou partidos, enquanto formos maniqueístas políticos o fim da história será sempre o mesmo.

Enquanto isso, em Brasília, o senador que lidera o movimento pelo impeachment da presidenta Dilma Roussef é eleito o líder do PSDB no senado. Este mesmo senador, ficha suja – já cassado do cargo de governador-, no fim do ano passado estava na mídia por gastar R$7,5 mil do senado, isto é, do contribuinte, em um jantar em homenagem ao seu pai.

Ora, qual a moral tem esse cidadão e o partido que o determinou como seu líder no senado para encher a boca e falar de corrupção na Petrobrás? E, no movimento inverso, qual a moral do PT para falar de Aeroporto em Cláudio, ou da corrupção no governo FHC? A resposta é a mesma para os dois lados: nenhuma. O passado e presente de ambos são moralmente discutíveis, portanto, não há sentido em sermos parciais. Ora, esses mesmos rivais, em 2008, se aliaram em torno de um mesmo candidato em BH. 


Como disse o jornalista Paulo Moreira Leite, a discussão sobre corrupção no Brasil se tornou arma política. Tanto quanto a Bolsa Família e o Plano Real. É tudo conveniente em um sistema beneficia e interessa quem está ao seu lado. No fim, o importante é estar com o sistema, com a máquina em seu favor. Por isso tanta briga, tantas acusações, por isso tanta gente que torce mesmo para dar errado, por isso tantos partidos e pessoas sempre estão do lado vencedor, não importando qual seja. E, enquanto não percebermos isso, nada vai mudar. 

Não hei de entrar no questionamento sobre a política econômica e trabalhista que o governo importou da oposição. Tampouco aventar a possibilidade de o candidato derrotado estar realmente satisfeito de ter perdido, afinal, seria ele hoje no olho do furacão. O problema da corrupção no Brasil não foi panteado pelo PT. Nem pelo PSDB. Ela permeou os dois. Da mesma forma que vem permeando todos os governos e partidos desde os tempos de Império. O sistema corrupto é um câncer centenário cuja continuidade é possível e patrocinada por aqueles poucos e poderosos beneficiados por eles.

Não há como resolver um problema centenário em quatro anos, sobretudo quando não se quer fazê-lo. E ninguém quis, ninguém quer, nem vencedores nem vencidos; embora usem isso como arma. Usam primeiro porque o brasileiro é de laia parecida, os gatos e jeitinhos que o digam. Mas o principal motivo é porque sabem da parcialidade e passionalidade com que tratamos tudo. O maniqueísmo burro e cego, como todo há de ser, com o qual reagimos à política é a maior forma de perpetuar a corrupção. Temos a necessidade histórica de criar heróis e vilões e personifica-los. E ainda não aprendemos que essa estratégia é ineficaz e ridícula. Não existe um vilão que corrompeu um país em tão pouco tempo, nem um herói que vai salvá-lo.

Hoje o vilão é a Dilma e o Príncipe Encantado o Aécio. Mas o vilão já foi o Collor e elegemos FHC como o herói, uma potência intelectual. Oito anos depois, quando “a esperança venceu o medo”, esse maniqueísmo nunca foi tão evidente. Naquela feita, então, o governo FHC era o mal e o Lula foi o exemplo da personificação de um herói vindo do povo e que salvaria a nação. Deu no que deu. Em todos os dois casos o herói se tornou vilão. 

Até porque não existem heróis ou vilões, nem vão existir. Depositamos todas nossas esperanças na oposição e toda a culpa na situação. É como ser reserva em time ruim: ninguém lembra que você está no banco porque ruim, e como quem está exposto em campo também é ruim, a torcida grita seu nome. Claro, assim, nós, com nosso comportamento exemplar, nos eximimos de responsabilidade.

E o filme se repete, por isso, como cansei de ouvir cientistas políticos no rádio em 2014, o povo mineiro estava "desgastado" com o PSDB em âmbito estadual e com o PT em âmbito nacional. Porque, no fim, os heróis viram vilões e vice versa. Porque realmente o verdadeiro inimigo da moralidade é parcialidade, porque ela cria o maniqueísmo extremo, em que todos são cem por cento bons ou cem por cento ruins, nos tira a isenção, nos faz esquecer que esses heróis e vilões já estiveram com os lugares trocados, e transforma o que deveria ser reflexão por um país em raiva e decepção por alguém.