terça-feira, 10 de março de 2015

Nostalgia

Me peguei sonhando com o passado. Pensando no passado. Quão curta é nossa vida? Quão fugidios são nossos dias? Não sei. Racionalmente, me culpo. Não deveria ser nostálgico, a vida é muito curta para isso, no presente estão muitos dos melhores acontecimentos da minha vida. Mas ninguém dorme racional e sonhei, com uma mistura de nostalgia e medo, com o passado misturado ao presente. Medo, porque o passado, tão longínquo e tão próximo, nos faz refletir que a morte também é assim: longínqua e próxima.

Só envelhece que não morre jovem. É verdade, mas não há como negar que só percebemos a real possibilidade de envelhecer quando começamos realmente a deixar de ser jovens. Os dias áureos passam brusca e rapidamente e, quando caímos na realidade, somos gente grande. De repente chegamos à época em que sonhávamos, mas sem ter sem ser nada  do que havíamos sonhado.

Aliás descobrimos que o que verdadeiramente sonhamos é ter sonhos. Sonhamos em reviver aquelas épocas idas, cheias de esperanças, sem preocupações, em que o futuro era só o futuro. Mas o futuro vira presente e não temos tempo para o passado, para nostalgia... Mas não somos donos de nós.

Não estou desvalorizando o presente, até porque hoje tenho algumas pessoas e coisas sem as quais não saberia viver. A nostalgia não é saudosismo. Muito longe disso. Antes é a vontade de voltar para refazê-lo, vive-lo de maneira diferente e melhor. Aproveitá-lo mais, ser mais inconsequente ter mais confiança, enfim. Corrigir os erros e acabar com os fantasmas que ainda assombram nossas mentes, para, quem sabe, tornar o presente ainda melhor.

O problema é que, nessa brincadeira maldita imposta pela nostalgia, acabamos esquecendo de viver o presente e, no futuro, ele será como o passado. Estamos repetindo os erros. Mal sabemos nós que muitos dos fantasmas vividos são essenciais. Talvez, voltando no tempo, mudando algo, ganhando alguma coisa que outrora desperdiçara, você pode perder algumas das melhores coisas de sua vida, que vieram posteriormente. Não há como fugir de nossa história.

Infelizmente também não  há como fugir da nossa mente. E eu me peguei nostálgico. Pensando no passado, lembrando o passado e, paradoxal que seja, lembrando o futuro. São pessoas e coisas que passam em nossas vidas, às vezes sem a menor importância. Se bem que nada é sem importância...