Me peguei sonhando com o
passado. Pensando no passado. Quão curta é nossa vida? Quão fugidios são nossos
dias? Não sei. Racionalmente, me culpo. Não deveria ser nostálgico, a vida é
muito curta para isso, no presente estão muitos dos melhores acontecimentos da minha vida. Mas ninguém dorme racional e sonhei, com uma mistura de
nostalgia e medo, com o passado misturado ao presente. Medo, porque o passado,
tão longínquo e tão próximo, nos faz refletir que a morte também é assim: longínqua
e próxima.
Só envelhece que não morre
jovem. É verdade, mas não há como negar que só percebemos a real possibilidade
de envelhecer quando começamos realmente a deixar de ser jovens. Os dias áureos passam
brusca e rapidamente e, quando caímos na realidade, somos gente grande. De repente
chegamos à época em que sonhávamos, mas sem ter sem ser nada do que havíamos sonhado.
Aliás descobrimos que o que verdadeiramente
sonhamos é ter sonhos. Sonhamos em reviver aquelas épocas idas, cheias de
esperanças, sem preocupações, em que o futuro era só o futuro. Mas o futuro
vira presente e não temos tempo para o passado, para nostalgia... Mas não somos
donos de nós.
Não estou desvalorizando o presente,
até porque hoje tenho algumas pessoas e coisas sem as quais não saberia viver. A
nostalgia não é saudosismo. Muito longe disso. Antes é a vontade de voltar para
refazê-lo, vive-lo de maneira diferente e melhor. Aproveitá-lo mais, ser mais
inconsequente ter mais confiança, enfim. Corrigir os erros e acabar com os
fantasmas que ainda assombram nossas mentes, para, quem sabe, tornar o presente ainda melhor.
O problema é que, nessa
brincadeira maldita imposta pela nostalgia, acabamos esquecendo de viver o
presente e, no futuro, ele será como o passado. Estamos repetindo os erros. Mal sabemos nós que muitos dos fantasmas vividos são essenciais.
Talvez, voltando no tempo, mudando algo, ganhando alguma coisa que outrora
desperdiçara, você pode perder algumas das melhores coisas de sua vida, que
vieram posteriormente. Não há como fugir de nossa história.
Infelizmente também não há como fugir da nossa mente. E eu me peguei nostálgico. Pensando no passado, lembrando o passado e, paradoxal que seja, lembrando o futuro. São
pessoas e coisas que passam em nossas vidas, às vezes sem a menor importância.
Se bem que nada é sem importância...