quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O mundo caranguejo


O mundo ocidental está regredindo velozmente. Não fossemos nós, brasileiros, uns incompetentes acomodados, estaríamos diante da melhor oportunidade dos últimos cem anos para se tornar uma potência. Afinal, na crise, uns choram, outros vendem lenço. Mas somos incompetentes, burros e incoerentes demais para isso. Destarte, deixaremos o mundo aos orientais. 

Aqui no lado ocidental da coisa, poucos são os que, a sua maneira e condição, aproveitam a loucura do globo. O Uruguai, com seu tamanho diminuto, mas mente progressista; a Costa Rica que aprendeu a sustentar a sua saúde vendendo saúde para os americanos; os canadenses com suas políticas sustentáveis, ou os suíços que, sempre neutros, continuam à parte do mundo, são raros exemplos. 

Além destes e de algumas outras honrosas exceções, são os orientais quem estão atentos à esta oportunidade ímpar de ter para si o controle do globo, ou ao menos a independência financeira. Não é por acaso que dizem ser a China - cuja política econômica me enoja - a maior potência do mundo no futuro.


Mesmo os países orientais de cultura ocidental, casos da Austrália e Nova Zelândia, até pela posição geográfica, são os de postura mais independente ao caos do mundo centro-ocidental. Não é para menos. em poucas gerações a população de origem chinesa ultrapassará os ascendentes de europeus naqueles países. 


Voltando ao assunto, digo centro-ocidental, porque, neste caso específico, o oriente é bem extremo. Já que o chamado Oriente-médio, com suas fortunas em óleo, há muito são parte importante da engrenagem e loucuras ocidentais. 

Poderíamos estar tomando às rédeas da situação junto com os chineses, sul-coreanos e japoneses. A crise mundial está deixando o mundo ocidental perplexo e os orientais ricos. Crise, inclusive, que já ultrapassou às barreiras econômicas há tempos. Mas enquanto o mundo gira ao contrário, abrindo as portas aos espertos, nós brasileiros estamos resolvendo problemas internos que nem deveriam ter sido começados, resolvendo 500 anos em 5 meses.

Começando pelas Américas, enquanto Argentina e Brasil lutam contra sua própria incompetência, as tensões nas fronteiras  venezuelanas e colombianas e venezuelas e guianenses se acirram drasticamente sem sequer serem amplamente noticiadas. Alguns países de fora da América já exigem a intervenção Brasileira e Argentina para que a situação se controle. Segundo analistas, o desejo venezuelano por parte dos territórios desses países está tornando uma guerra iminente. Aqui não temos nem a noção da gravidade disso e o quanto isso iria nos ferrar. 

Os Estados Unidos, que em poucas gerações se tornará um país de maioria latina, além de todos os problemas sociais que sofre (acabo de ler que Los Angeles está em calamidade pública por conta dos sem casa), vive a expectativa das eleições no ano que vem. As tensões internas aumentam, sobretudo sobre questões étnicas na briga eterna entre republicanos e democratas. Sem contar no eterno risco de uma "eurização" da economia, uma vez que o Tio Sam não tem lastro para toda sua moeda. Não é a toa que a nota de dólar tem prazo de validade. 

Não bastasse isso tudo, a Casa Branca e o Pentagono estão preocupados (olha que retrocesso atroz) com a Rússia de Putin. Não faz muito tempo, o ministro do exterior dos Estados Unidos acusou a Rússia de subsidiar o governo sírio em suas atrocidades. Exigiram explicações. Parecem até os anos 1980. 

O Oriente Médio já é aquele caldeirão natural, que efervesce todos os dias desde a criação do estado israelense. Mas um golpe na economia local deve piorar as coisas: a queda vertiginosa do preço do barril de petróleo. Não bastasse isso, agora tem o famigerado (embora alguém esteja lucrando com isso) Estado Islâmico que, além de aterrorizar o norte da África e o Oriente Médio, dominou uma região importante de produção de petróleo, o que tem desequilibrado ainda mais o mercado.

A Europa está em crise. Econômica e política. Aliás, quando não esteve? Parece absurdo, mas o período de maior estabilidade na Europa deve ter sido na Guerra Fria, pelo medo talvez. Agora ela paga o preço pelos seus atos passados. O caos da África e o número de refugiados e imigrantes é consequência direta da interferência europeia no século XX. Hoje, ela não se move para resolver o problema, e agora tem que se virar com os refugiados que ela mesmo criou. 

O velho continente também é um caldeirão. Em épocas assim, historicamente, as questões xenofóbicas são postas à mesa, o povo se divide. Assim foi no período entre-guerras e assim sempre será em um território marcado por rivalidades milenares. 

Atualmente, sobretudo os países do leste, vivem essa maré xenofóbica. Afinal, a extrema direita, extremos em geral, invariavelemte reverberam em países mais pobres. E eles, os primos pobres da Europa queriam o dinheiro que pode ser destinado aos refugiados para arrumar o colapso em suas economias destruidas e mal estruturadas. Ora, basta ver o colapso grego e a imbecil cinegrafista hungára. 

Por essas e outras, a imigração na Europa já está em patamares insustentáveis. As razões são óbvias. O Velho Continente é Velho! A estrutura social está montada. A posição geográfica é perfeita, perto de tudo, o verdadeiro centro do mundo. Por fim, os europeus dominaram todo o mundo ocidental. Ou seja, lá vai ter algum lugar lá em que falam a sua língua. Mais que isso, vai ter um lugar em que nós colonos entedemos com uma relação especial, uma relação patrícia quase paternal. Basta perceber que não ouvimos tantos casos de imigrantes na escandinávia, que é, economica e socialmente quase que o paraíso. Ou notar para onde vão os imigrantes: Angolanos, Brasileiros, Cabo Verdianos, Moçambicanos e tantos outros em Portugal, os imigrantes da África branca na França, ou mesmo os egípcios na Itália. 

E como não é toda a Europa que está bem financeiramente, o fluxo de imigrantes se torna ainda mais complexo. Portugueses e Espanhóis, por exemplo, estão espalhados por todo o continente. Os ibéricos estão longe de estarem austeros como os alemães, por isso se espalham. O que acontece então? Pessoas de terceiro mundo, sobretudo das colônias, ocupam o espaço deixado por esses imigrantes. Os imigrantes do leste europeu também escolhem seus portos seguros, gregos, turcos e poloneses na Alemanha, ou os Albaneses na itália. É gente demais! Agora os refugiados. O sistema não aguenta, mas quem procura acha. Ação e reação.


Enquanto a Europa e os Estados Unidos quebram a cabeça para consertar o mundo ocidental (que eles mesmos estragaram), a China, o Japão e a Coreia do Sul aproveitam. Tornam-se potências cada vez maiores, cada vez mais incontroláveis e independentes. Afinal, se mantém à parte dessa loucura. Deixam aos ocidentais os problemas do Ocidente. 

E o Brasil? Com potencial, território, recurso e população que temos? Nós estamos parados no século XVIII. Nós disputamos e discutimos poder, debatemos entre os corruptos e os ladrões com passionalidade de uma torcida de futebol, ficamos entre os ruins e os piores ainda, nesse círculo vicioso de mais de 500 anos em que só ganham os políticos.