quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Agora é Guerra?

Alá é a palavra árabe para Deus. Assim como em inglês se diz God. Assim um cristão árabe, eles existem e são numerosos, também louvam a Alá. Aliás, a maioria dos muçulmanos nem árabes são. De toda forma, há tempos estamos assistindo de camarote às atrocidades do Estado Islâmico em nome de Deus. Verdadeiros absurdos, sem fundamentação, sem lógica. Uma lavagem cerebral insana, que distorce os valores muçulmanos e atuam muito na disseminação do preconceito contra o islã e contra os árabes, e vi isso de perto, de dentro de um país árabe de maioria de muçulmana.

O mundo assistiu o Estado Islâmico crescer e, querendo ou não, pouco se fez efetivamente contra ele. Esse grupo terrorista atua contra todo o mundo, não só contra as religiões, não só contra inocentes. Ele atenta contra o islã, contra o cristianismo, contra o judaísmo, contra o ateísmo, contra a história do mundo, contra a cultura. Todos vimos, embasbacados, quando os imbecis destruíram sem a menor razão artefatos e monumentos históricos milenares no Iraque. 

Mas uma coisa é fato: contra o dinheiro e o capitalismo eles não têm nada. Aliás, não há como falar no Estado Islâmico e pensar só em religião quando falamos neste assunto. Os fatores religiosos, somados aos problemas socioeconômicos europeus, atingindo sobretudo os jovens de origem não caucasiana servem somente de estímulo para recrutamento.

O Estado Islâmico se instalou em uma região estratégica econômica e geograficamente. No norte da Síria, próximo à fronteira com a Turquia, porta de entrada para a Europa. Além do mais, uma região riquíssima em petróleo. Esse petróleo é vendido e financia toda a milionária estrutura do grupo. Neste aspecto, já temos dois pontos interessantes. Existe alguém que compra esse petróleo e alguém que vende armas e suprimentos.

Aliás, o aspecto econômico sempre sobrepuja “os verdadeiros ideais” do grupo. Voltando aos monumentos destruídos no Iraque, vale ressaltar que uma parte das estátuas foram conservadas e vendidas ao museu de Londres, que admitiu a compra, afinal, as obras foram tratadas como reféns de um sequestro. 

Vamos ao ocidente. Nada no planeta é tão eficaz para livrar o mundo de uma crise econômica do que uma guerra. A guerra faz a economia girar em todos os sentidos. A indústria bélica gera empregos diretos e indiretos, além da criação de infraestrutura, construção civil... 

Teorias da conspiração à parte, as últimas guerras e atuações dos Estados Unidos sempre foram em períodos de crises econômicas globais. Agora, vamos à alguns fatos. Qual a real efetividade ao combate do Estado Islâmico até então? Ora, uma repórter chegou ao coração do Estado Islâmico. Mostrou ao mundo como funciona. Não bastasse, todas as vezes em que se mostram os perfis públicos, repito, públicos, em redes sociais dos terroristas, suas fotos de capa e perfil são verdadeiras confissões. Não é possível que não há como monitorar essas pessoas. Aliás, a França admitiu que o Iraque havia avisado sobre o atentado. Não acho que tenham deixado de propósito, mas porque não dar o mínimo de crédito? 

Enfim, voltando aos combates pouco efetivos, ano passado esses retardados decapitaram 20 cidadãos egípcios participantes de uma seita católica local. Em retaliação, o Egito, enfatizo, Egito, que não tem nada de superpotência, em um ataque noturno surpresa, que durou cerca de 4 horas, destruiu cerca de 20% de todo o poderio bélico do Estado Islâmico. Se o Egito foi capaz de destruir 20% do poderio do Estado Islâmico em um único ataque de 4 horas, o que seriam capazes de fazer as superpotências?

No primeiro ataque francês, a capital do Estado Islâmico foi arrasada a ponto de os principais líderes estarem em fuga para o Iraque. Isso tudo apenas com ataques aéreos. Imagina o resultado de um front conjunto tendo como base terrestre Israel, Egito e Turquia? Não precisa ser estrategista militar para chegar a essa conclusão.

Faltava um motivo. Um motivo suficientemente grande para comover ao mundo todo e começar a guerra e destruir o Estado Islâmico de uma vez por todas, ou o suficiente para que ele não se reestruture até a próxima crise econômica. O motivo está aí, a publicidade pronta. Agora é só começar a Guerra. Aliás, para que fique claro, sou totalmente a favor dela, a questão é: precisava esperar tanto? Precisávamos assistir o crescimento deles assim? Bom, mas assim foi em todo o século XX. O mundo assistia a ascensão de seus vilões para depois derrota-los... Ou seriam todos vilões? 

Enfim, o que aconteceu em Paris foi inadmissível. Sangue inocente derramado e a instauração geral e irrestrita do preconceito. A hora é agora, e que seja questão de tempo até o tal Estado Islâmico ser varrido do mapa. 

#JeSuisParis