Como amante do
futebol a Copa do Mundo está me agradando muito, em todos
os sentidos. Os jogos estão bons, a ponto de eu refazer quase todos os meus
horários para me adaptar ao mundial. Não consigo ver todas as partidas, óbvio, mas
assisto todas que posso, ainda que desatento via streaming – apesar da lentidão. Além
disso, acho extremamente legal o convívio com os estrangeiros pelas ruas. E,
hei de confessar, hoje me arrependo de não ter comprado nenhum
ingresso para os jogos da Copa por aqui.
Alegria e Copa do
Mundo à parte, todos nós sabemos que a vida continua, mesmo durante o maior
evento esportivo do mundo. Pelo menos
deveria continuar. Como disse, gosto de todo o clima da Copa, sei que ela é
notícia, mas a mídia convencional viver em função disso é um exagero, um tanto
quanto chato, diga-se. Aliás, antes de chegar
ao cerne da questão, vamos permear pelo “Pachequismo” insuportável das
mídias convencionais e esportivas. O conteúdo das publicidades ufanistas – que
eu já acho um saco, embora legítimo – parecem se transportar para o telejornal,
que quase se torna uma CBF TV, mesmo sem ser um programas esportivos.
Às vezes até torço
contra a seleção brasileira única e exclusivamente pela forma ufanista com a
qual a imprensa trata o time da CBF. Mas esse talvez seja o menor dos males. A
maior das loucuras é fazer da Copa do Mundo a única pauta de um país, mesmo nos
jornais regionais. E é gritante, porque apresentar o jornal de maior audiência
do país do centro de treinamento da seleção é, sem dúvida, um exagero absurdo.
Se estiver acontecendo alguma coisa de importante no país ele está oculta,
porque nada que seja Copa ganha espaço de mais de 30 segundos na televisão. Parece
que o país, mesmo os bandidos, realmente parou para ver a Copa do Mundo. Ou
então simplesmente não há o que se noticiar, ou todos os problemas foram
resolvidos.
Existem vários
prismas para se ver essa situação. O primeiro deles é que, ainda que exista uma
displicência da imprensa, podemos dizer que o país da Copa realmente não é o
país em que vivemos. O país padrão FIFA, o país para os turistas verem, é o
país que eu gostaria de ver progressivamente todos os dias. E isso não é motivo para revolta,
muito pelo contrário, é motivo de cobrança. A Copa é o exemplo de que com
vontade, o caos aéreo, o transporte público e a segurança são possíveis é só
querer. Outro ponto de vista, é que temos um bombardeio de notícias
da Copa fora dos canais e programas esportivos. Por fim, se existe um país
diferente do que vivemos na Copa, talvez exista uma imprensa diferente. Será
que a falta de notícias no cotidiano faz com que a imprensa seja rotineiramente
exagerada e sensacionalista?
Sinceramente, na
minha modesta opinião todas as opções são verdadeiras. O país da Copa não
existe, sendo que o Brasil padrão FIFA é bem mais organizado e seguro. A
imprensa é omissa com relação ao que acontece no país, focando quase
exclusivamente a Copa do Mundo. E fazem isso para cobrir uma lacuna que
diariamente é coberta por sensacionalismos e notícias desnecessárias.