quarta-feira, 6 de maio de 2015

Golpe velado

Me acusam de petista, coisa que nunca fui; também nunca fui tucano. Tenho um milhão de motivos para não votar no PT e um milhão e um para não votar no PSDB. Aliás, saibam, que, para mim, os dois são farinha do mesmo saco e escravos dos mesmos senhores. Em suma e direto, sem rodeios: são duas merdas. Além de criticar ambos sem restrições, sempre achei um absurdo, que se expande diariamente, esse maniqueísmo entre os dois. Não acredito que as pessoas não consigam ver além dos rótulos. Não ser PT não quer dizer ser PSDB. Não ser PSDB não significa ser PT. Propostas de ambos não são necessariamente boas ou ruins por sua origem.

Vemos todos os dias nas operação lava-jato, e na história do Brasil que a corrupção e os problemas do país são sistêmicos, aliás apenas quatro partidos não foram citados nesta operação. O PSDB não foi um deles. Isso quer dizer que a corrupção e os problemas brasileiros não têm personalidade, é estrutural e institucional, por mais que as pessoas queiram personificá-lo. Ora, é extremamente interessante para quem manda criar essa polarização entre partidos e tal personificação maniqueísta. É bom para quem manda porque esta visão, bem como toda a visão maniqueísta sob qualquer coisa limita nossos horizontes, nos impede de relativizar e pensar as coisas como elas são.

E isso é histórico. A igreja não existiria sem o Diabo, nem o bem sem o mal. Capitalismo e comunismo são sistemas absolutamente falidos cujos ápices foram justamente quando conviveram sob a ameaça um do outro. Pergunte aos europeus do bloco capitalista, o quanto a vida deles,os benefícios e serviços sociais, eram melhores quando a URSS estava lá... O fracasso e a inoperância de um, não quer dizer o sucesso do outro. Existem vários outros sistemas alternativos, o mundo não pode ser visto por apenas dois ângulos. Mas isso não favorece a ninguém. Bom, ninguém com poder. 

Voltemos ao Brasil. A partir do momento em que acreditamos na oposição cega maniqueísta e mentirosa entre PT e PSDB, quando nos envolvemos na guerra entre eles, estamos na verdade, seguindo suas regras e perdendo, como pessoas e nação. Quando tomamos partido de maneira emocional, passional, como futebol, atitude bem própria do brasileiro, não analisamos os fatos, nem a história. Nos atemos às pessoas ou em determinado grupo delas. Isto é, se eu não gosto do PT, vou apoiar qualquer coisa vinda do PSDB e refutar tudo vindo do PT, independentemente do conteúdo. E isso é cíclico, já que em 2002 a relação era exatamente a inversa.

Eu não gosto do Collor, óbvio. Mas não é por isso que vou arrotar que as medidas dele com relação à indústria automobilística e às informações nutricionais, sobretudo a respeito do glúten, não foram boas medidas. E podemos concordar apenas em parte com uma medida, apoiar outra com ressalvas e por aí vai.

Entretanto, se não pensarmos assim, se pensarmos em alternativas, novas opções, novos prismas, ficamos fortes demais. Parem para refletir: por que será que o PMDB, partido mais numeroso e poderoso do Brasil, não tem o costume de lançar candidatos próprios à Presidência da República? Simples, porque fora da briga e dos holofotes, ele transita entre todos, ou seja, sempre vão estar no poder. Não se esqueçam que esteve ao lado do governo FHC, ao lado de Lula e de Dilma. Foi um dos partidos mais atolados, se não tiver sido o mais, na operação lava-jato. Agora voltam aos poucos para o lado tucano... E agora? as críticas e ressalvas somem? Sim. Afinal, personificamos o problema. Da mesma forma como na campanha presidencial o marketing do Aécio, no primeiro turno, chamou a Marina de Dilma com outra roupa. No segundo, se sentiu orgulhoso de seu apoio... O que mudou? A relação é essa. 

As empreiteiras, grandes empresas, grandes financiadores de campanha, esses caras fortes, tenham certeza, patrocinam ambas as campanhas. Um dos próprios fundadores do PSDB, grande empresário, afirmou em sua coluna na Folha de São Paulo que rompeu o relacionamento de sua empresa com a Petrobrás nos anos 70 por causa da corrupção. Disse ainda que esse está longe de ser o maior, primeiro ou último escândalo. O que isso quer dizer? Quer dizer que enquanto a disputa for polarizada está perfeito. O sistema se mantem e eles ganham qualquer que seja o resultado.

De toda sorte, personificar é mais fácil do que criticar sistematicamente, do que entender o todo e as consequências disso, estamos vendo agora. E não são as melhores. Até porque, quem acompanha e quer ver o todo, já percebeu que não há inocentes, em nenhum dos dois lados, lados esses artificialmente criados e visceralmente aceitos por nós, quase como times de futebol. A terceirização, por exemplo, que já é praxe no meu meio há anos, e, acreditem não é nada bom para o trabalhador, é defendida pelo partido que mais apoia as investigações na Petrobrás. Eles também são os que estão tirando as informações sobre os transgênicos dos alimentos, querendo a redução da maioridade penal e que, no sul, espanca professores.

O outro, contra essas atrocidades supracitadas, está atolado até o talo em escândalos de corrupção, os quais não preciso nem começar a citar, de mensalão à Petrobrás, ainda é que quer aumentar a verba de campanha e o financiamento privado delas. E olha que estão aumentando impostos, cortando gastos, reduzindo até o FIES. Estão até dando medalha para líder do MST! Enquanto isso, o PMDB, está no pior lado de todas as medidas. Atrás das cortinas.

E nos jornais de São Paulo – e ser de São Paulo é muito significativo – publicam que a alternativa à presidenta na eleição, após deixar seu cargo em Minas, viajou diversas vezes ás custas e usando o avião oficial do estado. Vale lembrar ainda que este mesmo cidadão, que construiu e usou o aeroporto de Cláudio indevidamente, declarou em sua campanha um patrimônio de menos de um milhão. Também é aliado do senador cujo helicóptero caiu com quilos e mais quilos de cocaína... E por aí vai, podemos transitar de lado a lado que vamos ver merda.

E governadores dos dois partidos, para me ater nos polos que nos impuseram, caem em contradição e escândalos o tempo todo, estão todos insatisfeitos. 

Basta olhar o seu Facebook. Se você tem como amigo gente que acredita nessa polarização e a toma como futebol, verá memes, notícias e o cacete mostrando cagadas de lado a lado. E todas elas provavelmente estão certas, são verdadeiras e fazem sentido. Não adianta tapar o sol com a peneira. Não há inocentes nessa briga de foice, que vai continuar pautando o país enquanto a gente não aprender a não personificar as coisas entender o problema como sistêmico e institucional.

As consequências dessa maneira estúpida de ver o mundo estão ficando evidentes. De gente pedindo a volta do militarismo à político influente propondo ao Brasil o mesmo sistema aplicado ao Afeganistão. E isso é nossa culpa, e não é de quem votou em A ou B. Aliás, nada mais desonesto intelectualmente do que dizer: “eu não tenho culpa, votei no Aécio.” 

A nossa culpa reside no fato de que, nos auges das investigações da corrupção na Petrobrás, em vez de nos preocuparmos com a real situação da empresa, da economia do país, com os verdadeiros fatos e com o problema sistêmico e repetitivo – já que é tão antigo quanto à própria Petrobrás -, as pessoas batiam panela, iam às ruas e pediam impeachment, sem nem saber direito o que é isso, nem quem assumiria o país. Além do mais, faziam tudo isso sem saber muito bem o que reivindicar e quais as consequências das suas reivindicações.

Do outro lado, a culpa está no fato das pessoas simplesmente retrucarem, refutarem, brigarem e defenderem com unhas e dentes o indefensável, tentando criar movimentos contrários, mobilizando sindicatos e tudo o que tinha direito. 

A consequência imediata desse movimento foi simples. Acabou a moral do governo. E agora, independente do lado que escolheu, quem é trabalhador, quem conhece a terceirização a fundo, por exemplo, está de mãos atadas. Ora, a presidente se disse contra, mas com que moral ela veta um projeto do congresso? Parabéns, só fortalecemos o sistema. O PMDB, que invariavelmente, sendo PT ou PSDB sempre esteve ao lado do poder, já começou um golpe velado, ou seja, não importa o que aconteça, eles vão continuar governando e com a imagem quase que intacta. Aliás, depois de um golpe velado, já estamos sendo presididos pelo PMDB. Genial. 

O sistema não mudou. Nem vai. Afinal, não nos preocupamos com isso, mas sim com a personificação, com a criação de heróis e vilões os quais saídas e entradas seriam como soluções milagrosas. Não conseguimos ver o todo, estamos sempre rotulando, criando opostos extremos, uma polaridade maniqueísta na qual se crê cegamente na impossibilidade de novas vias, um terreno propício a golpes e até à guerra civil. Não acredito na segunda pelo próprio desinteresse do brasileiro. A primeira já está acontecendo. Um golpe velado com consequências que por enquanto só podem ser especuladas, mas não são nada boas.

Fato é que os políticos que arrotaram a exigência de moralidade no país, na verdade fazem de tudo para essa merda continuar, sendo o expoente e exemplo maior disso os professores paranaenses. Graças a esse maniqueísmo o Brasil e todos nós morremos um pouco, junto com a esperança e a vontade de mudar. Os gritos por mudança por parte da classe política não passam de oportunismo em meio a justa insatisfação popular.

Reflitam agora por que e por quem e você vai à rua; que mudança você realmente quer e quem você pensa que é capaz de fazê-la. Pensem, sobretudo, se vale mesmo a pena defender com tanto afinco e paixão algum dos dois lados dessa briga de foice oportunista que se instaurou, se existe mesmo tanta diferença entre um lado e outro; ou se no fim é uma mera disputa pelo poder capaz de dar sentido a célebre frase da presidenta: "Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder".

Mudar os personagens, trocar as marionetes? Ou mudar o sistema e as instituições? Pois é.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Hipocrisia, seu nome é Brasil

Nos horrorizamos todos os dias, sobretudo aos Domingos, quando nos telejornais, ou no Fantástico, assistimos e ouvimos falar sobre o Estado Islâmico. Aquele fundamentalismo nos assusta, a ponto de nos perguntarmos como uma sociedade deixa isso acontecer. Contudo, com nossa cegueira sistemática, mal percebemos que nossa sociedade está se tornando tão fundamentalista quanto.

O auge recente dessa hipocrisia foi a polêmica absurda e retumbante sobre a novela Babilônia, que não assisto, até porque a história não me atrai nenhum pouco. O ápice dos comentários sobre a novela o foi beijo homossexual entre dois dos maiores patrimônios da cultura Brasileira, as geniais atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. O pior, usando argumentos bíblicos para isso. Usar a bíblia, ou melhor a interpretação religiosa dela, como argumento já é algo extremamente questionável, ainda mais para interpelar a arte.


E o paiol de bobagens, sobretudo nas redes sociais, foi fora do comum, absurdo mesmo. Chegaram ao ponto de falar sobre o nome da novela. Clamam que esse nome é demoníaco por natureza, e que jamais assistiriam algo com esse nome, pois remete a coisas ruins, satânicas e, com o perdão do trocadilho, o Diabo à quatro, por isso tal nome foi escolhido para remeter a um festival de atrocidades, que seria a novela.


Aos desinformados Babilônia, cujo significado em hebraico antigo, conforme algumas interpretações é confusão, e que aparece diversas vezes na bíblia; foi a capital da Suméria, região onde atualmente fica o Iraque. Lá, na “endiabrada” e “amaldiçoada” Babilônia, de tão desgraçada aos olhos de Deus, teve, simplesmente, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Jardins Suspensos da Babilônia, mas uma maravilha do mundo antigo, construída pelo homem, certamente é uma obra proveniente do Capeta.

Mas em uma coisa os mensageiros do apocalipse têm razão: o nome não foi escolhido a toa. Escolheram o nome pelo simples fato de no Rio de Janeiro, cidade onde passa a novela, existir um lugar, uma favela, conhecida como Morro da Babilônia, local de suma importância ao enredo da trama. Como disse, retumbaram um paiol de bobagens sem tamanho.

Nessas horas a gente realiza que a existência de personagens como Marco Feliciano só tem importância porque tem gente que repercute e apoia e dá ibope às imbecilidades ditas por ele. Esse camarada, inclusive, faz parte de uma corrente religiosa com a audácia de dizer que os negros são descendentes amaldiçoados de Noé. Sem contar nas milhões das declarações homofóbicas e conservadoras diariamente ecoadas por ele.

E estamos mais perto do fim do que imaginávamos. Descobri, não faz muito, existe uma coisa chamada FPE, Frente Parlamentar Evangélica. Movimento apartidário e retrógrado que, inclusive, voltando à Babilônia, publicou uma nota oficial de repúdio. Parabéns ao Brasil, um estado laico, no qual as igrejas são dispensadas dos tributos, no qual a fé alheia virou meio de vida. Laico até a segunda página e até não sei quando, pois vislumbro, infelizmente uma República Evangélica.

Me pergunto se esses mensageiros apocalípticos seguem a vida como pregam. Aliás, me pergunto, não é nessa mesma bíblia, usadas por eles como um Alcorão Cristão, que está escrito “Não julgueis, para não ser julgado”? Então qual o Direito deles de julgar? Sinceramente, antes de usar a bíblia como argumento, esses camaradas deveriam, ao menos, ser exemplo. E que Deus esse, capaz de perdoar ou ignorar a bebida e suas consequências, o cigarro, a “pegação”, mas é homofóbico? Certamente não é o Meu. Pelo menos, pelo que entendi, ele é justo e não tem dois pesos e duas medidas. Então, se alguém condena algumas práticas, tem de condenar as outras, em vez de tacitamente aprova-las e até ser reproduzi-las... Coerente, não?

Como questionador, meu lugar é o inferno, de certo. Mas, honestamente, se ir para o paraíso significa passar a eternidade com Marco Feliciano, Jair Bolsonaro, Edir Macedo, Bento XVI, e gente dessa estirpe, me desculpem, eu passo. Esse lugar soa muito mais como o inferno. Aliás, se para chegar lá no Paraíso eu tenho de compartilhar valores homofóbicos, racistas, discriminatórios, alienantes e burros, prefiro não ir mesmo. Prefiro pegar o 9403 e ir só até o bairro homônimo.

Essas posições ecoando na sociedade são tão fundamentalistas quanto à dos idiotas que deturpam o islã. Então, antes de nos surpreender e julgar, coloquemos a mão na consciência e pensemos se não estamos substituindo nossos livros de história e nossa Constituição pela bíblia. Ou melhor, por uma interpretação deturpada e vomitada dela.

segunda-feira, 16 de março de 2015

15 de Março: o dia em que o brasileiro pediu aspirina para tratar de câncer

De cara, para ser justo, vou excluir os inegavelmente imbecis: os que levaram suásticas, os que pediram os militares no poder, os que chamaram o PT de comunista e os que desfilavam com camisas “Mais Privatizações”.

Ressalvas feitas, acompanhando as atuais manifestações do neopolitizado povo brasileiro, desses que vão lutar contra a corrupção com a camisa da CBF, concluo que pensar deve doer. Doer muito.

Não tenho compromissos partidários, não pretendo defender nada aqui além da democracia e da legalidade. Já votei no PSDB e no PT consciente do que estava fazendo, esperando sempre o menos pior. Em ambos os casos, continuo achando ter escolhido o menos pior, o que não me isenta de criticar e ter criticado arduamente os governos que ajudei a eleger. Por isso me sinto extremamente confortável para dizer que as manifestações de ontem, tal como foram feitas, não tinham a menor razão de ser.

Sou contrário à maioria das medidas do governo Dilma, acho suas medidas ineficazes, tanto quanto achava – e ainda acho – péssimo o governo de Aécio aqui em Minas Gerais. Óbvio que, como qualquer cidadão de bem, mesmo reconhecendo a natureza corrupta do nosso dia-a-dia, do brasileiro que rouba wi-fi, tem gato, compra coisas piratas e adora um jeitinho; sou contra a corrupção. E certamente me manifestaria caso fosse uma ação propositiva.

O que vimos ontem, porém, foram pessoas querendo curar câncer cerebral com aspirina. E dou o crédito dessa conclusão a uma conversa que eu – crítico mas eleitor da Dilma no segundo turno - e um amigo eleitor do Aécio  tivemos no caminho entre o carro e o Estádio Independência ontem. Não sejamos hipócritas, é provável que eleitores dos dois lados tenham estado na rua ontem, mas é certo, e isso confirmei, que eleitores dos dois lados também acham ridículo o modo com que isso vem sendo conduzido. Portanto, de antemão, já aviso que, em momento nenhum, generalizo como “eleitores do Aécio e da Dilma”, até porque isso vai contra o princípio básico que estou defendendo.

Voltando ao que interessa, uma das primeiras palavras que aprendi o significado foi corrupção. Assistindo ao telejornal com minha mãe, ouvi isso e lhe perguntei do que se tratava. Provavelmente, eu e todos os brasileiros, aprendemos o significado do vocábulo corrupção antes mesmo do da palavra política. E, gente como eu, nascida na metade dos anos 1980, ainda teve o privilégio de aprender cedo, bem no início da alfabetização o significado e a grafia do termo impeachment.

Onde quero chegar? Simples. Diferentemente do que querem nos passar, a corrupção no Brasil é um problema crônico com muito mais de 12 anos, que não foi panteado nem aperfeiçoado pelo PT. Foi, antes, mantido. E, por isso, como disse Juca Kfouri, o PT paga o preço de quem, antes de estar no poder, sempre foi considerado a “esperança” anticorrupção. Paga, pois, pela decepção de ser igual aos outros.

Igual. Nem melhor, nem pior. É de uma ignorância ímpar acreditar que a corrupção é uma invenção petista que assola o Brasil nos últimos 12 anos. E não sou eu quem digo. Ricardo Semler, membro fundador do PSDB, eleitoe do Aécio Neves, escreveu na Folha de São Paulo um artigo intitulado “Nunca se roubou tão pouco”. Ele, CEO de uma empresa que não fecha contratos com a Petrobrás desde 1970 por não ceder às propinas, tem muita propriedade para falar. E diz, com razão, que hoje tudo fica mais evidente devido ao fácil acesso à comunicação e às redes sociais.

Portanto, querer criar heróis e vilões é patético. Achar que o Aécio Neves seria o salvador da pátria idem. Ora, os governos Aécio e Anastasia deixaram um rombo de R$6 bilhões nos cofres de Minas. São também responsáveis por um escândalo de corrupção na hidroelétrica de Furnas que, sob investigação, não pode nem realizar concursos públicos para contratação de novos funcionários. Sem falar no famigerado aeroporto de Cláudio. Ora, o PSB, hoje oposição, atacante veemente da corrupção, era aliada ao governo quando dos fatos investigados pela operação “Lava-Jato”. O senador tucano Cássio Cunha Lima foi condenado por crime eleitoral, cassado do cargo de governador da Paraíba e, ano passado, pagou um jantar de R$7.500,00 para seu pai com o dinheiro do Senado, ou seja, nosso dinheiro.

Isso, evidentemente não justifica a corrupção petista. Mas serve para mostrar aos “cavaleiros da moralidade”, que ontem foram às ruas clamando pelo herói nacional, que todos falam de corrupção com propriedade, afinal, são todos corruptos. Corrupção não tem partido. É corrupto falando de corrupto, deslavadamente, diga-se.

Ainda por cima clamam pelo impeachment da Dilma, mal sabendo que, caso ela saia, quem assume é o “acima de qualquer suspeita” Michel Temer. Mas faz parte da nossa natureza simplista eleger vilões, escolher caminhos fáceis. A troca de pura e simples de quem está no poder não muda NADA. Como não mudou do Collor pro FHC, do FHC pro Lula, nem do Lula pra Dilma. Aliás, apesar de toda a sua incompetência, estourada nas mãos de sua sucessora, de todos esses o único que não saiu com popularidade baixa, quase nula, foi o próprio Lula.

Mudar partidos e nomes não vão mudar o país. Acreditar nisso é um ledo engano. Pode, no máximo, garantir um sossego momentâneo que dá carta branca para novos esquemas, para a recuperação do sistema. No fim, sempre vamos querer a saída de quem está no poder. Prova disso é que ninguém manifestou pela volta do PSDB e a saída do PT em Minas. E, a faixa mais coerente – apesar de absurda – que vi em São Paulo dizia: Fora Dilma, Alckmin e Valdivia”. Não precisa ser genial, portanto, para entender que o problema não é QUEM está no poder, mas sim a ESTRTURA do próprio poder.

O sistema político está falido e é corrupto. Não é mudar nomes, partidos. É, antes, reformar o sistema, fazer uma verdadeira reforma política.

Imagina você com uma dor de cabeça inexplicável. Você vai ao SUS e o médico, sem nenhum exame, te dá uma aspirina. A causa da dor, no entanto, é um tumor cerebral. A aspirina alivia por alguns minutos, mas volta, cada vez pior.

Ontem quem foi às ruas pediu uma aspirina para um câncer no cérebro. O PT não é o câncer, é só o sintoma. E a oposição é só uma aspirina. E os papeis invertem-se todas as vezes quantas houverem inversão no poder.

Todos os partidos permeiam a corrupção, porque nosso sistema político quase que obriga a isso. Ele induz e favorece que todos sejam corruptos. E, depois, é só trocarem farpas e acusações de lado-a-lado.

Que o povo, sim, vá às ruas, mas que vá pelos motivos certos, sabendo o que está falando e tendo proposições reais e factíveis. Não para pedir aspirina para tratar de câncer.




terça-feira, 10 de março de 2015

Nostalgia

Me peguei sonhando com o passado. Pensando no passado. Quão curta é nossa vida? Quão fugidios são nossos dias? Não sei. Racionalmente, me culpo. Não deveria ser nostálgico, a vida é muito curta para isso, no presente estão muitos dos melhores acontecimentos da minha vida. Mas ninguém dorme racional e sonhei, com uma mistura de nostalgia e medo, com o passado misturado ao presente. Medo, porque o passado, tão longínquo e tão próximo, nos faz refletir que a morte também é assim: longínqua e próxima.

Só envelhece que não morre jovem. É verdade, mas não há como negar que só percebemos a real possibilidade de envelhecer quando começamos realmente a deixar de ser jovens. Os dias áureos passam brusca e rapidamente e, quando caímos na realidade, somos gente grande. De repente chegamos à época em que sonhávamos, mas sem ter sem ser nada  do que havíamos sonhado.

Aliás descobrimos que o que verdadeiramente sonhamos é ter sonhos. Sonhamos em reviver aquelas épocas idas, cheias de esperanças, sem preocupações, em que o futuro era só o futuro. Mas o futuro vira presente e não temos tempo para o passado, para nostalgia... Mas não somos donos de nós.

Não estou desvalorizando o presente, até porque hoje tenho algumas pessoas e coisas sem as quais não saberia viver. A nostalgia não é saudosismo. Muito longe disso. Antes é a vontade de voltar para refazê-lo, vive-lo de maneira diferente e melhor. Aproveitá-lo mais, ser mais inconsequente ter mais confiança, enfim. Corrigir os erros e acabar com os fantasmas que ainda assombram nossas mentes, para, quem sabe, tornar o presente ainda melhor.

O problema é que, nessa brincadeira maldita imposta pela nostalgia, acabamos esquecendo de viver o presente e, no futuro, ele será como o passado. Estamos repetindo os erros. Mal sabemos nós que muitos dos fantasmas vividos são essenciais. Talvez, voltando no tempo, mudando algo, ganhando alguma coisa que outrora desperdiçara, você pode perder algumas das melhores coisas de sua vida, que vieram posteriormente. Não há como fugir de nossa história.

Infelizmente também não  há como fugir da nossa mente. E eu me peguei nostálgico. Pensando no passado, lembrando o passado e, paradoxal que seja, lembrando o futuro. São pessoas e coisas que passam em nossas vidas, às vezes sem a menor importância. Se bem que nada é sem importância...


sexta-feira, 6 de março de 2015

Sobre heróis e vilões

Então eu leio um adesivo em um carro “a culpa não é minha, votei no Aécio” e imediatamente concluo mental e internamente “realmente a imbecilidade é um problema muito sério neste país”. Lembrei-me da frase do professor Vladimir Safatle, que eu li em um texto do jornalista Paulo Moreira Leite: “o maior inimigo da moralidade não é imoralidade, mas a parcialidade”. E isso nunca fez tanto sentido em minha mente. Não importam os nomes ou partidos, enquanto formos maniqueístas políticos o fim da história será sempre o mesmo.

Enquanto isso, em Brasília, o senador que lidera o movimento pelo impeachment da presidenta Dilma Roussef é eleito o líder do PSDB no senado. Este mesmo senador, ficha suja – já cassado do cargo de governador-, no fim do ano passado estava na mídia por gastar R$7,5 mil do senado, isto é, do contribuinte, em um jantar em homenagem ao seu pai.

Ora, qual a moral tem esse cidadão e o partido que o determinou como seu líder no senado para encher a boca e falar de corrupção na Petrobrás? E, no movimento inverso, qual a moral do PT para falar de Aeroporto em Cláudio, ou da corrupção no governo FHC? A resposta é a mesma para os dois lados: nenhuma. O passado e presente de ambos são moralmente discutíveis, portanto, não há sentido em sermos parciais. Ora, esses mesmos rivais, em 2008, se aliaram em torno de um mesmo candidato em BH. 


Como disse o jornalista Paulo Moreira Leite, a discussão sobre corrupção no Brasil se tornou arma política. Tanto quanto a Bolsa Família e o Plano Real. É tudo conveniente em um sistema beneficia e interessa quem está ao seu lado. No fim, o importante é estar com o sistema, com a máquina em seu favor. Por isso tanta briga, tantas acusações, por isso tanta gente que torce mesmo para dar errado, por isso tantos partidos e pessoas sempre estão do lado vencedor, não importando qual seja. E, enquanto não percebermos isso, nada vai mudar. 

Não hei de entrar no questionamento sobre a política econômica e trabalhista que o governo importou da oposição. Tampouco aventar a possibilidade de o candidato derrotado estar realmente satisfeito de ter perdido, afinal, seria ele hoje no olho do furacão. O problema da corrupção no Brasil não foi panteado pelo PT. Nem pelo PSDB. Ela permeou os dois. Da mesma forma que vem permeando todos os governos e partidos desde os tempos de Império. O sistema corrupto é um câncer centenário cuja continuidade é possível e patrocinada por aqueles poucos e poderosos beneficiados por eles.

Não há como resolver um problema centenário em quatro anos, sobretudo quando não se quer fazê-lo. E ninguém quis, ninguém quer, nem vencedores nem vencidos; embora usem isso como arma. Usam primeiro porque o brasileiro é de laia parecida, os gatos e jeitinhos que o digam. Mas o principal motivo é porque sabem da parcialidade e passionalidade com que tratamos tudo. O maniqueísmo burro e cego, como todo há de ser, com o qual reagimos à política é a maior forma de perpetuar a corrupção. Temos a necessidade histórica de criar heróis e vilões e personifica-los. E ainda não aprendemos que essa estratégia é ineficaz e ridícula. Não existe um vilão que corrompeu um país em tão pouco tempo, nem um herói que vai salvá-lo.

Hoje o vilão é a Dilma e o Príncipe Encantado o Aécio. Mas o vilão já foi o Collor e elegemos FHC como o herói, uma potência intelectual. Oito anos depois, quando “a esperança venceu o medo”, esse maniqueísmo nunca foi tão evidente. Naquela feita, então, o governo FHC era o mal e o Lula foi o exemplo da personificação de um herói vindo do povo e que salvaria a nação. Deu no que deu. Em todos os dois casos o herói se tornou vilão. 

Até porque não existem heróis ou vilões, nem vão existir. Depositamos todas nossas esperanças na oposição e toda a culpa na situação. É como ser reserva em time ruim: ninguém lembra que você está no banco porque ruim, e como quem está exposto em campo também é ruim, a torcida grita seu nome. Claro, assim, nós, com nosso comportamento exemplar, nos eximimos de responsabilidade.

E o filme se repete, por isso, como cansei de ouvir cientistas políticos no rádio em 2014, o povo mineiro estava "desgastado" com o PSDB em âmbito estadual e com o PT em âmbito nacional. Porque, no fim, os heróis viram vilões e vice versa. Porque realmente o verdadeiro inimigo da moralidade é parcialidade, porque ela cria o maniqueísmo extremo, em que todos são cem por cento bons ou cem por cento ruins, nos tira a isenção, nos faz esquecer que esses heróis e vilões já estiveram com os lugares trocados, e transforma o que deveria ser reflexão por um país em raiva e decepção por alguém.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

15 minutos eternos

Todos os dias aumento a crença de que, no Brasil, o ostracismo é opcional. As sub-celebridades se proliferam e, a não ser que queiram, mantém sua fama por muito mais do que os 15 minutos. Bem da verdade, se quiserem mantém-se nos holofotes o quanto quiserem. Basta, vez por outra, através de um assessor de imprensa, ou mesmo das redes sociais, fazer uma ou outra bobagem, entrar em alguma polêmica. Até porque, mais do que uma imprensa específica, existe aqui uma emissora de televisão que vive disso.

Além disso, a falta de pauta, ou a falta de interesse nas verdadeiras pautas, fazem essas pessoas eternas na mídia. Basta abrir qualquer página de qualquer grande portal de comunicação brasileiro. Sempre terão notícias da vida particular de gente que, alguma vez na vida, apareceu por 15 minutos na televisão. O pior é que, por conta dessa exposição excessiva, a opinião dessas pessoas passam a ganhar uma relevância absurda, ainda que tais opiniões, sejam, como a minha e a sua, discutidas no boteco, baseadas apenas nas próprias impressões.

Não é difícil ser famoso no Brasil. O complicado é perder a fama. Se estiver prestes à isso, basta um email release com uma opinião forte ou ridículo sobre um assunto importante, ou se oferecendo para participar de algum programa de televisão de certos canais, ou mesmo entrevistas para um ou outro e blog e pronto. Você está de volta à mídia.

Uma das maiores provas de que a fama no Brasil não exige esforço é o caso da Geisy Arruda. Alguém se lembra como ela se tornou famosa? Bom, para as os esquecidos, ela brotou na mídia por ter sido hostilizada por outros alunos na faculdade onde estudava, a UNIBAN, por estar com um vestido extremamente curto. Estava criada mais uma celebridade, que hoje é notícia e que vive dessa fama.

Todos os Janeiros tem o BBB, produtor de celebridades instantâneas. E ganhar o programa não é nem fundamental para isso. Basta lembrar que Sabrina Sato e Grazi Massafera, as duas mas bem sucedidas ex-Big Brothers, não ganharam. Ainda assim, os ex-participantes, quando querem, surgem na mídia, sobretudo em canais menos expressivos, para falar de um assunto qualquer.

Cair no Ostracismo após seus 15 minutos de fama é incompetência ou opção. Aliás, os 15 minutos de fama estão cada vez mais fáceis de se conseguir. Em tempos de reality show, que de realidade só tem o nome, de carência de verdadeiros talentos,já que corpos e rostos bonitos facilmente o sobrepujam, as pessoas, mesmo que inconscientemente querem ver gente comum e alimentar suas próprias esperanças de ascender a fama.

No entanto, uma vez famoso a pessoa transcende o nível dos reles mortais, com seus ônus e bônus. Qualquer um tem o poder de aparecer. O difícil é sumir. Depois de galgar o mínimo sucesso – mesmo pela repulsa – é preciso trabalhar para voltar ao ostracismo. Aí, meus caros, qualquer merda que você fala é relevante à humanidade.

E é isso o que incomoda. Pouco importa a criação de celebridades ou programas que fomentam esse processo. Isso é televisão, show business, e, como tal, se rentável, tem de ser feito. Aos que não gostam, opções de outras coisas para se fazer ou assistir não faltam. O verdadeiro problema da falta de ostracismo é perceber como a opinião dessas pessoas, sobre o assunto que for, passa a ser relevante à humanidade, como se fossem verdadeiros especialistas. Verdadeiros formadores de opinião sobre tudo, sem saber nada, sem a menor qualificação para isso.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Estou aqui e não me arrependo



Meu recado é aos democratas politizados de última hora, para os quais eleições e política são tratadas com a passionalidade devotada a um time de futebol. Aqueles a procura de um eleitor da Dilma, que, com deboche, alegam terem sumido. Pois então, me apresento aqui como um dos eleitores dela e, em momento nenhum, me arrependi deste voto. Sou, conforme alguns recém apaixonados por política e pesquisa, um dos 80% que manteria e repetiria o voto se as eleições fossem hoje.

Não me escondo, não omito, e, à despeito dos apaixonados irracionais de plantão, não tenho nenhum motivo para isso. Me desculpem. Pela enésima vez, insisto, insatisfação não é sinônimo de arrependimento. Os que teimam em não entender isso deviam, em vez de  eleitores da Dilma, procurar um dicionário. Eleição e política não são como futebol, ao menos não deveriam ser. Não se deve entregar-se à passionalidade, defesas e ataques sem razão. Ora, seu time de futebol pode ser o melhor ou o pior, continuará sendo o seu. Você não mudará e uma discussão de bar ou piadas em redes sociais, além da diversão e gozação não vai levar a lugar nenhum. Política é diferente. A discussão acerca dela, por sua vez, deveria chegar em algum lugar, analisar argumentos, ainda que as conclusões e opiniões seja diferentes no fim.

Farei, contudo, o movimento inverso. Esqueçam por um minuto a insatisfação e o arrependimento. Não há razões para sermos situação ou oposição se nem os partidos o são. Afinal, sempre há uma inexplicável conciliação partidária quando o tema favorece aos parlamentares. Ou algum partido faz algum discurso veemente com relação a algum aumento de salarial e verbas indenizatórias dos parlamentares? Não. E gente de todos os partidos votam pela mesma coisa. Incrível. Outro exemplo é a recente discussão sobre as dívidas dos clubes de futebol. A situação, de onde surgiu a proposta, foi boicotada por um de seus congressistas, que propôs uma readequação do projeto em benefício aos clubes. Ele aderiu à oposição? Não. Mas ele é da bancada da bola. E essa bancada não tem partido. Como também não tem a bancada evangélica, católica, ruralista...

Até aqui, são apenas constatações. Sem o menor juízo de valor. Voltemos ao arrependimento e insatisfação. Como a grande maioria das pessoas, estou, sim, insatisfeito com o governo e com seus representantes. Muito insatisfeito. E não é de hoje. Aliás, nunca estive satisfeito com nenhum dos governos desde que me entendo por gente. Nunca fui petista, não sou nem pretendo. O último turno da última eleição foi a primeira vez em que votei 13. Nos outros segundos turnos, votei nulo em e nos primeiros votei em um candidato diferente em cada uma delas.  

Estou sim insatisfeito com governo e com o PT, mas não me culpo nem me arrependo. Os recém apaixonados pela democracia têm que aprender que os eleitores da Dilma, ou de qualquer outro candidato vencedor, têm o mesmo direito de se indignar e o mesmo dever de criticar e protestar. Aliás, sob nenhuma hipótese estar insatisfeito com a Dilma me fará arrepender de não ter votado no Aécio. E esse foi meu verdadeiro voto. Não votaria nele sob nenhuma circunstância. Na sinuca de bico em que estávamos, entre dois governantes cujos governos foram péssimos, horríveis, fui obrigado a colocar tudo na balança. E o resultado foi: por pior que tenha sido o governo da Dilma para o Brasil, certamente não foi pior do que o governo do Aécio para Minas.

Além do mais, se o resultado das eleições fosse outro, o que aconteceria de tão diferente? Não acredito que as empreiteiras e seus favorecimentos desapareceriam. Afinal, eles têm muito dinheiro e muito interesse político e econômico em obras públicas. E a política econômica idem. Afinal, para os leigos, o ministro da economia estava na equipe do candidato da oposição, ajudou a formular seu plano e estaria no governo.

Não justifica os erros do governo, tampouco reduz a minha indignação. Mas é fato. E realmente não dá para esperar coesão e lisura de ninguém nesse meio. A própria campanha se mostrou assim. Ora a Marina foi tachada por muito tempo como “a Dilma com outra roupa”, pois tanto ela quanto seu partido já haviam feito parte do governo. Entretanto, no primeiro dia do segundo turno, os mesmos acusadores foram à televisão agradecerem e dizerem-se honrados com o apoio da candidata.

Sinceramente, diante disso tudo, concordei, pela primeira ou segunda vez com o Boechat e a Band, cujas linhas de pensamento e editoriais diferem muito das minhas, quando, acerca a discussão no senado entre Aécio e Renan Calheiros, disse: “quando vejo isso tenho duas sensações. A primeira é de que eu gostaria que os dois morressem. A segunda é de que os dois estão certos.”

 Isto posto, à parte minha opinião de que o problema é apartidário e impessoal, é, antes, um problema institucional, muito maior do que imaginamos; chega a ser ridículo o movimento por impeachment de um mandato de um mês após uma eleição que, quer queiram quer não, foi legítima. E olha que, no geral, além da insatisfação, tenho sido muito contra as medidas do atual governo, inclusive àquelas que sempre fizeram parte da agenda de oposição.

Mas é assim mesmo. Gente que trata política como futebol, independentemente do lado em que esteja, não sabe perder, não sabe diferenciar insatisfação de arrependimento, defende seu candidato às últimas consequências, ataca ao outro com a mesma voracidade, chega a torcer para tudo errado só para atacar os outros, afinal os outros são menos esclarecidos, portanto culpados e inferiores.

A vocês meus parabéns. E saibam que continuo aqui, insatisfeito com o governo, sem o menor pingo de arrependimento do meu voto, de peito aberto e achando cada vez mais graça da busca incessante por eleitores da Dilma, que só mostra o quão valioso é o conceito de democracia para vocês. 

Qualquer coisa, reclamem com o Papa.