O novo salário mínimo foi
divulgado: R$ 678. E tem gente que sustenta uma família com essa fortuna e mais
meia dúzia de benefícios governamentais. O salário médio de um professor na
rede pública não chega aos 4 dígitos, a não ser que ele trabalhe os 3 turnos. E,
convenhamos, se nenhum ser humano trabalha plenamente 8 horas diárias (ou você
não morcega algumas horas no dia que são essenciais para sua produtividade?),
imagine por 12. Ainda assim, o salário não chega à R$ 5 mil. E isso para
sustentar casa, filhos, contas.
O exemplo dos professores é simbólico por sua
importância na sociedade. Mas não é o único. Profissionais dos mais
variados níveis de escolaridade, dos mais variados tipos de labor sustentam famílias trabalhando por quase dia inteiro, gastando o resto no
caminho entre trabalho e casa, ganhando para isso salários que mal são
suficientes para colocar a comida na mesa. Será que isso compensa? Mesmo quem
tem uma condição de vida melhor, os micro empresários, por exemplo, que,
responsáveis por mais de 70% dos empregos no país, não conseguem prosperar
devido às enormes cargas tributárias. Ganhar dinheiro honestamente no Brasil é
extremamente difícil.
Enquanto isso, em Brasília, na
capital federal, Renan Calheiros cuja ficha criminal é mais suja que os papéis higiênicos usados jogados na lixeira de um banheiro de rodoviária, é nomeado, apoiado
por pessoas extremamente idôneas, como Fernando Collor, presidente do Senado. Uma casa que deveria nos
representar, que devia ser exemplo de licitude e de conduta. E o lugar lhe foi passado por José Sarney, uma múmia que deve ter cometido sua primeira ilicitude
na chegada de Dom João VI no Brasil. E não são só eles. Recomendo um livro
chamado “Privataria Tucana”, que, apesar do nome, passa longe de ser um ataque
direcionado aos tucanos. O livro mostra como é fácil ganhar muito dinheiro de
forma ilícita no Brasil, mostrando operações que passam por traficantes,
contrabandistas, políticos de todos os partidos, representantes de entidades
como a CBF e tantos outros.
Até mesmo os crimes que, apesar
de não ser do colarinho branco, são mais elaborados acabam sem punição. Pouco,
por exemplo, daquele roubo do banco central em Fortaleza foi recuperado. Um
risco calculado e com alguns laranjas presos. A lavanderia de dinheiro sujo
está aberta, sobretudo para aqueles bandidos de fino trato, sofisticados e
influentes. É extremamente fácil tornar o dinheiro limpo com alguns contatos,
fruto da defasagem das instituições fazendárias brasileiras. Que, creio eu,
continuarão sendo defasadas, uma vez que o poder de transformá-las estão
nas mãos dos maiores beneficiários desse dinheiroduto. Não à toa o senhor Paulo
Maluf, quase uma madre Tereza de tão puro, não pode sair do Brasil, já que é
procurado pela Interpol em cerca de 180 países.
Grandes narcotraficantes,
contrabandistas, políticos, banqueiros vivem vida de reis graças às mais
diversas manobras ilícitas, imagináveis e inimagináveis. Ao mesmo tempo, a professora
potiguar Amanda Gurgel, em um discurso contagiante na Assembleia Legislativa do
Rio Grande do Norte (http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA),
que lhe rendeu uma aparição no Faustão e o cargo de vereadora mais votada em
Natal nas últimas eleições, enquanto era simplesmente professora, silenciou os
deputados mostrando sua situação como discente com especialização.
Crescemos ouvindo dizer que o
crime não compensa. E não foram só nossos pais, se você tem a sorte de ter pais
íntegros. Os desenhos animados que fomos criados
assistindo nos dava a certeza mais do que absoluta de que essa frase é
verdadeira. No Brasil, isso só funciona até a segunda página. O baixo clero do
crime, por assim dizer, pode realmente não compensar. Porém, e que me desculpe
Scooby Doo, Capitão Caverna, Duck Tales e tantos outros, o alto calão Brasileiro, as instituições políticas
e financeiras brasileiras insistem em nos provar que por aqui o final feliz
sempre será dos Dicks Vigaristas ou dos Irmãos Metralha.