terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Será que o crime não compensa?


O novo salário mínimo foi divulgado: R$ 678. E tem gente que sustenta uma família com essa fortuna e mais meia dúzia de benefícios governamentais. O salário médio de um professor na rede pública não chega aos 4 dígitos, a não ser que ele trabalhe os 3 turnos. E, convenhamos, se nenhum ser humano trabalha plenamente 8 horas diárias (ou você não morcega algumas horas no dia que são essenciais para sua produtividade?), imagine por 12. Ainda assim, o salário não chega à R$ 5 mil. E isso para sustentar casa, filhos, contas.

O exemplo dos professores é simbólico por sua importância na sociedade. Mas não é o único. Profissionais dos mais variados níveis de escolaridade, dos mais variados tipos de labor sustentam famílias trabalhando por quase dia inteiro, gastando o resto no caminho entre trabalho e casa, ganhando para isso salários que mal são suficientes para colocar a comida na mesa. Será que isso compensa? Mesmo quem tem uma condição de vida melhor, os micro empresários, por exemplo, que, responsáveis por mais de 70% dos empregos no país, não conseguem prosperar devido às enormes cargas tributárias. Ganhar dinheiro honestamente no Brasil é extremamente difícil. 

Enquanto isso, em Brasília, na capital federal, Renan Calheiros cuja ficha criminal é mais suja que os papéis higiênicos usados jogados na lixeira de um banheiro de rodoviária, é nomeado, apoiado por pessoas extremamente idôneas, como Fernando Collor,  presidente do Senado. Uma casa que deveria nos representar, que devia ser exemplo de licitude e de conduta. E o lugar lhe foi passado por José Sarney, uma múmia que deve ter cometido sua primeira ilicitude na chegada de Dom João VI no Brasil. E não são só eles. Recomendo um livro chamado “Privataria Tucana”, que, apesar do nome, passa longe de ser um ataque direcionado aos tucanos. O livro mostra como é fácil ganhar muito dinheiro de forma ilícita no Brasil, mostrando operações que passam por traficantes, contrabandistas, políticos de todos os partidos, representantes de entidades como a CBF e tantos outros.

Até mesmo os crimes que, apesar de não ser do colarinho branco, são mais elaborados acabam sem punição. Pouco, por exemplo, daquele roubo do banco central em Fortaleza foi recuperado. Um risco calculado e com alguns laranjas presos. A lavanderia de dinheiro sujo está aberta, sobretudo para aqueles bandidos de fino trato, sofisticados e influentes. É extremamente fácil tornar o dinheiro limpo com alguns contatos, fruto da defasagem das instituições fazendárias brasileiras. Que, creio eu, continuarão sendo defasadas, uma vez que o poder de transformá-las estão nas mãos dos maiores beneficiários desse dinheiroduto. Não à toa o senhor Paulo Maluf, quase uma madre Tereza de tão puro, não pode sair do Brasil, já que é procurado pela Interpol em cerca de 180 países.

Grandes narcotraficantes, contrabandistas, políticos, banqueiros vivem vida de reis graças às mais diversas manobras ilícitas, imagináveis e inimagináveis. Ao mesmo tempo, a professora potiguar Amanda Gurgel, em um discurso contagiante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA), que lhe rendeu uma aparição no Faustão e o cargo de vereadora mais votada em Natal nas últimas eleições, enquanto era simplesmente professora, silenciou os deputados mostrando sua situação como discente com especialização.

Crescemos ouvindo dizer que o crime não compensa. E não foram só nossos pais, se você tem a sorte de ter pais íntegros. Os desenhos animados que fomos criados assistindo nos dava a certeza mais do que absoluta de que essa frase é verdadeira. No Brasil, isso só funciona até a segunda página. O baixo clero do crime, por assim dizer, pode realmente não compensar. Porém, e que me desculpe Scooby Doo, Capitão Caverna, Duck Tales e tantos outros, o  alto calão Brasileiro, as instituições políticas e financeiras brasileiras insistem em nos provar que por aqui o final feliz sempre será dos Dicks Vigaristas ou dos Irmãos Metralha.