terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Acabem com a lei seca


Dirigir e beber, infelizmente, é um hábito do brasileiro que não mudou em nada após a tal lei seca. As pessoas continuam a se arriscarem e têm mais medo da blitz do que de um acidente. Se bem que ultimamente nem as blitzes colocam medo. Primeiro porque são facilmente dribláveis com rotas alternativas, aplicativos de celular e até com auxílios de terceiros. Ademais, se você for rico e seu carro importado for parado e, prudentemente, não soprar o bafômetro, vai pagar uma multa que não fará muita diferença na sua vida.

E, sabendo que está errado, o brasileiro, como faz invariavelmente, esquece de sua parcela da responsabilidade. Repito, parcela. Isso porque as pessoas têm razão de reclamar que falta transporte público à noite, especialmente na saída das baladas. Em Belo Horizonte, por exemplo, até aparecer (se aparecer) um táxi (mesmo daqueles que chamamos por telefone), você já teria chegado ao seu destino, tomado umas cinco cervejas ou sonhado 5 sonhos, se tivesse ido ônibus de madrugada (que só passa de hora em hora, e nem todas as linhas). Isso nos bairros nobres e boêmios da cidade. Nos mais afastados, então, desista. Alguns ainda reclamam do preço, mas isso, sinceramente, eu coloco em xeque. Não que os preços sejam suaves, mas também não são absurdamente caros. O problema é que as pessoas têm o vício, nesses casos, de calcular cada real em cervejas a mais. Sinceramente, tomar duas a menos para pegar o táxi não mudar sua noite ou, tampouco, alterar muito seu estado etílico. E seu fígado agradece. Enfim, com relação ao transporte público, de maneira geral, as pessoas estão com a razão em reclamar.

Mas um erro não justifica o outro, e dirigir após ter bebido é assumir um risco desnecessário, risco para sua vida e, principalmente, para a vida dos outros. É incrível como, geralmente, os que fazem as bobagens nunca morrem. Além disso, se o motorista morreu, ele assumiu esse risco. O outro, que não bebeu, não têm nada com isso. E é por isso que sou contra a lei seca.Porque sou radical com relação à punição de quem dirige alcoolizado, porque uma vez quase fui vítima de um bêbado que, às 4 da manhã descia velozmente uma avenida na contramão sem muito controle da faixa em que estava, porque é revoltante um idiota qualquer matar uma família inteira porque acha, depois de encher o rabo de cachaça, ser indestrutível. E, apesar das últimas mudanças, que ainda vão gerar muita polêmica, darem a impressão de aumentar o rigor e as punições, sou a favor do fim da lei seca justamente por ela ser um brinde à impunidade. É uma lei que não cumpre sua função, nem de maneira preventiva, nem punitiva. Aqui em BH mesmo tem um cidadão, que se não me falha a memória é empresário, que está quase virando uma celebridade do MGTV. Ele foi parado na blitz da lei seca, completamente embriagado, umas 3 vezes. Na primeira, perdeu a carteira e pagou a multa. Nas outras, ampliou o leque de infrações com dirigir sem carteira. Simples assim.

Seria muito mais eficiente se, em vez dessa lei seca, tão pouco efetiva, que faz com que os parentes das vítimas dos irresponsáveis clamem por justiça, punisse exemplarmente os motoristas que causaram algum acidente por estarem bêbados. Aprendi desde pequeno que devemos assumir as consequências dos nossos atos e é isso que falta nesse caso. Até porque, pior que mexer no bolso de alguém, é mexer com sua liberdade. A receita é: dirigiu bêbado, provocou acidente, matou, gerou danos irreparáveis à alguém, vai para cadeia. Todo mundo sabe que se beber não deve dirigir, não precisa nem ser muito inteligente para entender os riscos dessa combinação que, cada vez mais, mata no Brasil. Então, se você assume o risco, deve, sim, responder, em caso de uma tragédia, com o dolo eventual.

E extingue-se a lei seca como é feita hoje. Empregue a tolerância zero aos que provocam acidentes por estarem bêbados. No dia em que as pessoas perceberem que beber e dirigir deve ter a cadeia como consequência,  elas terão consciência. E dizer que é falta de educação, neste caso, é hipocrisia. As pessoas sabem, mas nunca acreditam que pode acontecer com elas. Além disso, o fim da lei seca, com o início da punição exemplar aos assassinos do volante, é até mais justo com algumas pessoas que bebem, moderadamente, que têm a consciência que não estão 100% e até por isso dirigem com muito mais cautela e que, dificilmente, vão provocar algum acidente. Não os defendo, não acho que seja certo, mas, concordando com um amigo, também não é certo que  a punição para alguém que bebeu pouco e, cautelosamente, chega a sua casa, sem causar o menor incomodo, seja a mesma de um idiota cujo a bebida transformou em um super herói e saiu à 100 km/h, provocando um acidente fatal.

É por isso que sempre serei contra a Lei Seca. Desde que se termine com a impunidade.