Dirigir e beber, infelizmente, é
um hábito do brasileiro que não mudou em nada após a tal lei seca. As pessoas
continuam a se arriscarem e têm mais medo da blitz do que de um acidente. Se
bem que ultimamente nem as blitzes colocam medo. Primeiro porque são facilmente
dribláveis com rotas alternativas, aplicativos de celular e até com auxílios de
terceiros. Ademais, se você for rico e seu carro importado for parado e,
prudentemente, não soprar o bafômetro, vai pagar uma multa que não fará muita
diferença na sua vida.
E, sabendo que está errado, o
brasileiro, como faz invariavelmente, esquece de sua parcela da
responsabilidade. Repito, parcela. Isso porque as pessoas têm razão de reclamar
que falta transporte público à noite, especialmente na saída das baladas. Em Belo Horizonte, por exemplo, até aparecer (se aparecer) um táxi
(mesmo daqueles que chamamos por telefone), você já teria chegado ao seu
destino, tomado umas cinco cervejas ou sonhado 5 sonhos, se tivesse ido ônibus
de madrugada (que só passa de hora em hora, e nem todas as linhas). Isso nos
bairros nobres e boêmios da cidade. Nos mais afastados, então, desista. Alguns
ainda reclamam do preço, mas isso, sinceramente, eu coloco em xeque. Não que os
preços sejam suaves, mas também não são absurdamente caros. O problema é que as
pessoas têm o vício, nesses casos, de calcular cada real em cervejas a mais.
Sinceramente, tomar duas a menos para pegar o táxi não mudar sua noite ou,
tampouco, alterar muito seu estado etílico. E seu fígado agradece. Enfim, com relação ao transporte
público, de maneira geral, as pessoas estão com a razão em reclamar.
Mas um erro não justifica o
outro, e dirigir após ter bebido é assumir um risco desnecessário, risco para
sua vida e, principalmente, para a vida dos outros. É incrível como,
geralmente, os que fazem as bobagens nunca morrem. Além disso, se o motorista
morreu, ele assumiu esse risco. O outro, que não bebeu, não têm nada com isso.
E é por isso que sou contra a lei seca.Porque sou radical com relação à punição
de quem dirige alcoolizado, porque uma vez quase fui vítima de um bêbado que,
às 4 da manhã descia velozmente uma avenida na contramão sem muito controle da
faixa em que estava, porque é revoltante um idiota qualquer matar uma família
inteira porque acha, depois de encher o rabo de cachaça, ser indestrutível. E,
apesar das últimas mudanças, que ainda vão gerar muita polêmica, darem a
impressão de aumentar o rigor e as punições, sou a favor do fim da lei seca
justamente por ela ser um brinde à impunidade. É uma lei que não cumpre sua
função, nem de maneira preventiva, nem punitiva. Aqui em BH mesmo tem um
cidadão, que se não me falha a memória é empresário, que está quase virando uma
celebridade do MGTV. Ele foi parado na blitz da lei seca, completamente
embriagado, umas 3 vezes. Na primeira, perdeu a carteira e pagou a multa. Nas
outras, ampliou o leque de infrações com dirigir sem carteira. Simples assim.
Seria muito mais eficiente se, em
vez dessa lei seca, tão pouco efetiva, que faz com que os parentes das vítimas
dos irresponsáveis clamem por justiça, punisse exemplarmente os motoristas que
causaram algum acidente por estarem bêbados. Aprendi desde pequeno que devemos
assumir as consequências dos nossos atos e é isso que falta nesse caso. Até
porque, pior que mexer no bolso de alguém, é mexer com sua liberdade. A receita
é: dirigiu bêbado, provocou acidente, matou, gerou danos irreparáveis à alguém, vai para cadeia. Todo mundo sabe que se beber não deve dirigir, não precisa nem ser
muito inteligente para entender os riscos dessa combinação que, cada vez mais,
mata no Brasil. Então, se você assume o risco, deve, sim, responder, em caso de
uma tragédia, com o dolo eventual.
E extingue-se a lei seca como é
feita hoje. Empregue a tolerância zero aos que provocam acidentes por estarem bêbados.
No dia em que as pessoas perceberem que beber e dirigir deve ter a cadeia como
consequência, elas terão consciência. E
dizer que é falta de educação, neste caso, é hipocrisia. As pessoas sabem, mas
nunca acreditam que pode acontecer com elas. Além disso, o fim da lei seca, com
o início da punição exemplar aos assassinos do volante, é até mais justo com
algumas pessoas que bebem, moderadamente, que têm a consciência que não estão
100% e até por isso dirigem com muito mais cautela e que, dificilmente, vão
provocar algum acidente. Não os defendo, não acho que seja certo, mas,
concordando com um amigo, também não é certo que a punição para alguém que bebeu pouco e,
cautelosamente, chega a sua casa, sem causar o menor incomodo, seja a mesma de
um idiota cujo a bebida transformou em um super herói e saiu à 100 km/h,
provocando um acidente fatal.
É por isso que sempre serei contra a Lei Seca. Desde que se termine com a impunidade.