quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Tudo tem limite


Quem me conhece sabe que musicalmente sou eclético. Música é momento e tem, cada uma, sua proposta. Existem músicas que me fazem pensar e canções que são só para dançar. A música que escuto quando estou querendo relaxar em casa, não é a mesma que colocarei se for DJ em um churrasco. Para se ter uma ideia, durante a minha vida, sem nenhum arrependimento, já fui em shows como o do Belo, uns quatro “Axé Brasil”, Neguinho da Beija Flor, Arlindo Cruz, Lulu Santos, Titãs, Engenheiros, Jota Quest, O Rappa, Capital Inicial, Ringo Starr, Paul McCartney, Chico Buarque. Falando apenas dos que, de pronto, vieram à minha cabeça.

Gosto de todo tipo de música, embora tenha músicas que eu não goste, não tenho nenhuma restrição a estilo musical, ou mesmo a artistas. Música boa é aquela que, em um determinado momento, você quer ouvir. Acho, ainda, de uma arrogância e preconceitos descabidos dizer que alguma música, ou estilo musical, são piores, são coisa de pobre ou mesmo falta de cultura. De novo, a conta é simples, existem músicas para relaxar, para pensar, para dançar e até para zuar.

Isto é um fato, mas, sinceramente, tudo tem limite. E o limite foi atingindo. Bom, ao menos se a notícia que circulou na internet na terça feira for verdade. Nada, absolutamente nada, contra, provavelmente até curtiria muito em qualquer festa, mas eleger a música “Passinho do Volante” do Mc Federado e os Leques como música oficial da copa, me perdoem, ultrapassa qualquer limite. Insisto que não julgo se a música do carnaval 2013 é boa ou ruim. Acho, até, que, ao que se propõe, é muito boa. Entretanto, a música oficial da copa tem coisas mais importantes para representar. A composição de Shakira para a Copa da África, belíssima, por exemplo, falava do continente Negro, uma vez que foi a primeira copa no continente africano.

A copa do Brasil, e não entro no mérito de ser a favor ou contra, da corrupção e dos problemas, em tese deveria representar o sentimento do povo brasileiro, sobretudo no que tange ao futebol. Fico imaginando como os mestres da música popular brasileira estão se  sentindo, sendo preteridos por uma letra tão significativa. Com todo respeito, a copa merecia algo, no mínimo, mais elaborado. Na minha modesta opinião, não seria necessário uma nova composição. Creio que poderia se votar em duas opções de músicas que, independentemente da idade, gosto musical, está na ponta da língua da maior parte da população e que representam muito bem o sentimento do brasileiro.

A primeira, samba enredo da União da Ilha, chamado “É hoje”. A outra, do eterno Gonzaguinha, que tinha o defeito crônico de torcer para o time errado, se chama “O que é, o que é?”. Com a primeira frase de cada uma delas, tenho certeza qualquer um identificará: “Minha alegria atravessou o mar” e “Eu fico com a pureza da resposta das crianças”. Ou qualquer outra que represente o Brasil.

Nada contra o funk e a musiquinha grude do Mc Federado, mas temos coisa melhor e mais representativa para oferecer ao mundo. Espero, do fundo do meu coração, que essa seja apenas uma pegadinha da Internet. Se bem que, considerando a logo da copa e tudo que foi feito para o evento até hoje, até que o funk grude do Mc Federado cai bem.