quinta-feira, 14 de março de 2013

Eu sou idiota


E não é pouco idiota. Eu diria um completo imbecil. Minha única dúvida é se eu nasci assim ou se eu fiquei assim. Acho que um pouco de cada. Talvez seja até obrigação dos nosso pais nos criar um pouco como idiotas. Seria muito cruel com as crianças não tratá-las como tal. Já pensou que triste seria desiludir uma pobre criança, inocente e pura? Talvez nem seja pela crueldade que implicaria acabar com nossa idiotice quando novos, talvez seja pela igual idiotice dos pais em ter esperança em um futuro melhor, futuro que poderia ser construído por seus filhos.

Ledo engano. Nascemos e logo somos criados acreditando que o bem sempre vence, os desenhos animados que o diga. Aliás, tal ilusão não é tão dissipada quando crescemos, vide novelas e filmes. Claro que entendemos que a vida real não é bem daquele jeito, entretanto, naquela hora, o final tão esperado é tido como, no mínimo, nosso ideal, o nosso anseio pelo final feliz. Sem contar no mundo ideal vendido por nós publicitários. É um mundo que queríamos viver, o mundo das propagandas de margarinas, dos bancos perfeitos, das festas regadas à Coca Cola, da beldade atrás de um copo de cerveja. É, acho que sou mais idiota que a média das pessoas.

Cresci sonhando, cresci acreditando que todos esses sonhos poderiam ser realidade. Coisa de criança. Aos poucos vemos o tempo passar e, quando nos damos conta, trombamos com a realidade. Nossos sonhos  pueris não serão realizados. Pessimismo? Não. Pergunto quantos nós, hoje, realiza o que sonhava de garoto? Pior. Mesmo na adolescência e no início da vida adulta, época em que já notamos que nossos verdadeiros sonhos infantis já se tornaram inviáveis, criamos expectativas para as nossas vidas que raramente são cumpridas. Pergunto outra vez, quantos de nós estamos, hoje, onde planejávamos e vislumbrávamos estar há  5 ou 6 anos?

E a idiotice se manisfesta em vários outros aspectos. Afinal, cresci acreditando que as pessoas pudessem ser boas, que o mundo podia mudar e que eu podia fazer parte dessa mudança. Sempre pensei que havia uma alternativa ao sistema, que a vida era feita por objetivos e que o caminho era mera trajetória. Pensava que ser feliz não demandava esforço, tampouco que isso seria embaraçoso e que a felicidade fosse alcançável. Pensava que o tempo no mundo não era desperdiçável, que era hábil para as nossas realizações. Os interesses eram sempre os comuns e as Instituições acima de qualquer suspeita.

Um dia, porém, você descobre que, por mais que a gente queira acreditar em Rosseau, Hobbes estava certo: “o homem é o lobo do homem”, que em geral as pessoas querem te eliminar, que a sociedade é uma mera concorrência entre animais pseudo-domesticados. Mudar o mundo é impossível, e por mais que você se comporte como desejaria que o mundo fosse, por mais que você escute a velha parábola do beija-flor e do leão no incêndio da floresta, no final das contas o beija-flor termina em uma luta solitária. O sistema não te deixa opção, ou você se enquadra nele ou será engolido por ele. Percebe-se também que a vida não é feito de objetivos, e que a vida na realidade acontece no caminho. É duro percebe o quanto é difícil não ter vergonha de ser feliz em uma sociedade que a imagem é tudo, aliás a felicidade, como diz aquela música brega, não existe. O que existe são momentos felizes.

E o tempo é algo extremamente fugidio  As 24 horas que existem no dia são insuficientes, aliás a vida inteira é insuficiente, e sabe-se lá o que vem depois dela. O mundo em que vivemos, infelizmente, é feito única e exclusivamente de interesses, e garanto, não são do bem comum. Mas precisamos ser iludidos para conseguir viver. E as instituições, cada vez mais mandando no mundo e cada vez menos pensando nele. E, apesar de existirem as boas ações de muitas pessoas, por mais que possam ser maioria, são impotentes em face aos poucos poderosos que determinam nossos rumos.

Mas, eu, bom, eu sou idiota. E ter a consciência da minha idiotice não a diminui em nada. Pelo contrário. Sigo acreditando que um dia esse tal mundo possa mudar, que as pessoas possam ser felizes e honestas, que o bem comum será pensado, os objetivos partes da vida e os caminhos meras trajetórias. E do alto da minha idiotice, sigo com meu mal humor incontrolável e incorrigível, meu descontentamento e meu incomodo com a humanidade. Mas, insisto, eu sou um grandíssimo idiota.