E não é pouco idiota. Eu diria um
completo imbecil. Minha única dúvida é se eu nasci assim ou se eu fiquei assim.
Acho que um pouco de cada. Talvez seja até obrigação dos nosso pais nos criar
um pouco como idiotas. Seria muito cruel com as crianças não tratá-las como tal.
Já pensou que triste seria desiludir uma pobre criança, inocente e pura? Talvez
nem seja pela crueldade que implicaria acabar com nossa idiotice quando novos,
talvez seja pela igual idiotice dos pais em ter esperança em um futuro melhor,
futuro que poderia ser construído por seus filhos.
Ledo engano. Nascemos e logo
somos criados acreditando que o bem sempre vence, os desenhos animados que o
diga. Aliás, tal ilusão não é tão dissipada quando crescemos, vide novelas e
filmes. Claro que entendemos que a vida real não é bem daquele jeito,
entretanto, naquela hora, o final tão esperado é tido como, no mínimo, nosso ideal, o nosso anseio pelo final feliz. Sem contar no mundo ideal
vendido por nós publicitários. É um mundo que queríamos viver, o mundo das
propagandas de margarinas, dos bancos perfeitos, das festas regadas à Coca
Cola, da beldade atrás de um copo de cerveja. É, acho que sou mais idiota que a
média das pessoas.
Cresci sonhando, cresci
acreditando que todos esses sonhos poderiam ser realidade. Coisa de criança.
Aos poucos vemos o tempo passar e, quando nos damos conta, trombamos com a
realidade. Nossos sonhos pueris não
serão realizados. Pessimismo? Não. Pergunto quantos nós, hoje, realiza o que
sonhava de garoto? Pior. Mesmo na adolescência e no início da vida adulta,
época em que já notamos que nossos verdadeiros sonhos infantis já se tornaram
inviáveis, criamos expectativas para as nossas vidas que raramente são
cumpridas. Pergunto outra vez, quantos de nós estamos, hoje, onde planejávamos e vislumbrávamos estar há 5 ou 6
anos?
E a idiotice se manisfesta em
vários outros aspectos. Afinal, cresci acreditando que as pessoas pudessem ser
boas, que o mundo podia mudar e que eu podia fazer parte dessa mudança. Sempre
pensei que havia uma alternativa ao sistema, que a vida era feita por objetivos
e que o caminho era mera trajetória. Pensava que ser feliz não demandava
esforço, tampouco que isso seria embaraçoso e que a felicidade fosse alcançável. Pensava
que o tempo no mundo não era desperdiçável, que era hábil para as nossas
realizações. Os interesses eram sempre os comuns e as Instituições acima de
qualquer suspeita.
Um dia, porém, você descobre que,
por mais que a gente queira acreditar em Rosseau, Hobbes estava certo: “o homem
é o lobo do homem”, que em geral as pessoas querem te eliminar, que a sociedade
é uma mera concorrência entre animais pseudo-domesticados. Mudar o mundo é
impossível, e por mais que você se comporte como desejaria que o mundo fosse,
por mais que você escute a velha parábola do beija-flor e do leão no incêndio
da floresta, no final das contas o beija-flor termina em uma luta solitária. O
sistema não te deixa opção, ou você se enquadra nele ou será engolido por ele.
Percebe-se também que a vida não é feito de objetivos, e que a vida na
realidade acontece no caminho. É duro percebe o quanto é difícil não ter
vergonha de ser feliz em uma sociedade que a imagem é tudo, aliás a felicidade,
como diz aquela música brega, não existe. O que existe são momentos felizes.
E o tempo é algo extremamente fugidio As 24 horas que existem no dia são insuficientes, aliás a vida inteira
é insuficiente, e sabe-se lá o que vem depois dela. O mundo em que vivemos, infelizmente, é feito única e
exclusivamente de interesses, e garanto, não são do bem comum. Mas precisamos ser iludidos para conseguir viver. E as instituições, cada vez
mais mandando no mundo e cada vez menos pensando nele. E, apesar de existirem
as boas ações de muitas pessoas, por mais que possam ser maioria, são
impotentes em face aos poucos poderosos que determinam nossos rumos.
Mas, eu, bom, eu sou idiota. E ter
a consciência da minha idiotice não a diminui em nada. Pelo contrário. Sigo
acreditando que um dia esse tal mundo possa mudar, que as pessoas possam ser
felizes e honestas, que o bem comum será pensado, os objetivos partes da vida e
os caminhos meras trajetórias. E do alto da minha idiotice, sigo com meu mal
humor incontrolável e incorrigível, meu descontentamento e meu incomodo com a
humanidade. Mas, insisto, eu sou um grandíssimo idiota.