quinta-feira, 21 de março de 2013

Os limites do politicamente correto


Sinceramente eu acho essa história de politicamente correto um verdadeiro saco. Mas os limites entre o que é piada e o que é ofensivo tem que ficar bem claro para as pessoas. E algumas, pelo que vemos, até justificam essa imposição do "politicamente correto". É um saco, para nós, e para eles, tratar um cego como deficiente visual. É idiotice querer que eu não chame um amigo de mais de 20 anos de negão, como eu sempre chamei, para chamá-lo de afrodescendente. É hipócrita achar que eu não vou, numa conversa de bar ou em meio de amigos não chamar um ou outro de viado, independentemente de sua orientação sexual. Regular isso é politicamente chato.

O que os alunos da UFMG fizeram, porém, ultrapassa qualquer limite. Eu, que estudei na UFMG, pela primeira vez tive vergonha de ter estudado lá. E por mais que tentem justificar a barbárie noticiada no início desta semana como o “império do politicamente correto”, e ainda que forçando muito a barra ela possa ser válida no caso da Xica da Silva (não é, mas vamos por meio segundo fingir que seja), os gestos nazistas não se justificam. O pior é ver que tamanha estupidez, racista, machista e desrespeitosa vem logo da Faculdade de Direito.

E eu tive muta vergonha de ser cria de lá. Do primeiro grau à universidade, estudei na UFMG, tá certo que bem longe da Faculdade de Direito, que não fica no Campus Pampulha, mas, ainda assim. Os futuros juristas do nosso país, pessoas que em tese deviam garantir nossos direitos,  propagando valores tão abomináveis e se divertindo com isso. Lastimável. E espero, sinceramente, até porque nós, ex alunos, os atuais alunos, funcionários e professores não nos sentimos bem em ver essa palhaçada associada a uma instituição pela qual passamos e tivemos orgulho em fazê-lo.

E que a punição seja clara e pelos motivos certos, que são basicamente as atitudes preconceituosas  racistas, nazistas, que aqueles belos idiotas sorriam em fazer. Não sejamos hipócritas, o trote com sujeira e zoação sempre existiu e sempre existirá e a Instituição pode até fingir que não via e que não sabia. Mas a gente sabe que não era bem assim. Eu mesmo sofri e dei trote. Fui sujo e sujei, mas sem nenhuma ofensa pessoal ou atitude preconceituosa.

E que a punição exemplar se estenda ao professor que ofendeu de maneira racista um aluno. E lembrar que eu fui aluno daquela escola de primeiro grau, em pensar que eu sempre quis e sempre tive orgulho de estar na UFMG. Só espero que a Instituição mantenha esse sentimento na gente, que ela puna todos os envolvidos e que mostre seu posicionamento com relação a atitudes deploráveis como esta. Mais. Que este posicionamento, se assim for tomado, seja de exemplo para sociedade, pois não podemos aceitar esse tipo de coisa seja lá onde for.  E que para isso não seja preciso esse exagero do politicamente correto, que seja simplesmente fácil de entender que respeito é essencial.